«Espelho meu, espelho meu, quem é mais desonesto do que eu», disse, em tom irónico, sobre PS e PSD.


O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, condenou quarta-feira o facto de Portugal ter passado de endividado a endividadíssimo com o pedido de ajuda externa, criticando o facto do empréstimo, a juros extorsionários, «não entrar na economia portuguesa».

No segundo comício do quarto dia de campanha, em Évora, Francisco Louçã centrou grande parte do seu discurso na explicação sobre o empréstimo que Portugal vai receber, decorrente do acordo assinado com a troika, o «contrato das letras pequeninas e dos números grandes».

Mas antes destas explicações, o líder do BE voltou a referir que «esta campanha eleitoral não ajuda o país».

«Espelho meu, espelho meu, quem é mais desonesto do que eu», disse, em tom irónico, sobre PS e PSD.

Louçã comentou ainda a forma como Pedro Passos Coelho cantou quarta-feira uma canção das Doce:

«Hoje apareceu também, como acontece sempre nestes grandes momentos de emergência nacional, aquilo que faz sempre falta no meio deste espectáculo: uma velha glória do cançonetismo dos anos 80 para poder ilustrar de alguma forma o que um candidato tem a dar ao país», criticou, implicitamente.

Mas Louçã foi mais explícito: «hoje veio Mário Soares dizer: José Sócrates com Paulo Portas, que dupla maravilhosa, que Governo encantador que aquilo seria».

Sobre a chegada da primeira tranche do empréstimo, o economista afirmou que «muitos dirão que é um alívio» já que «enquanto o pau vai e vem folgam as costas».

No entanto, Louçã explicou que aquilo que «o empréstimo faz é trocar os credores de Portugal», não entrando «na economia portuguesa».

«Não há um cêntimo deste dinheiro que vá para investimento público, para subsídios de desemprego, para recuperar abonos de família», sustentou.

«Começou hoje rios de dinheiro, charters de dinheiro, agora eles vão chegar. Recebem 78 [mil milhões de euros], não vêem os 78 porque eles vão para o sistema financeiro, não passa por vocês, não vos ajudará, mas a dívida é vossa e são 110 [mil milhões de euros]».

«Estavam endividados. Animem-se. Até não era mau. A dívida agora vai ser muito maior», disse, afirmando que de «endividados passamos a endividadíssimos».

Lusa/SOL

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