A sociedade “não volta para trás” no caso do aborto, avisou Louça


O coordenador do BE criticou hoje Passos Coelho por querer reavaliar a lei do aborto, afirmando que ele “pode tirar o cavalinho da chuva” porque a sociedade “não volta para trás” e “não se fazem referendos para mudar regulamentos”.

Em declarações à Rádio Renascença, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, defendeu que a última lei do aborto aprovada pelo Parlamento – que despenaliza a Interrupção Voluntária da Gravidez até às dez semanas – pode “ter ido um pouco longe demais” e tem de ser reavaliada, não excluindo a possibilidade de realização de um novo referendo sobre a matéria.

No final de uma arruada em Benfica que marcou o arranque do quinto dia de campanha, Francisco Louçã foi questionado pelos jornalistas sobre esta posição de Passos Coelho.

“Isso foi de manhã, não foi? Eu não sei se à hora do almoço o Dr. Passos Coelho não estará já a corrigir o seu ponto de vista”, ironizou, acrescentando que “a campanha não pode ser feita desta impreparação”.

Segundo o coordenador do Bloco, “não se fazem referendos para mudar regulamentos” mas sim por “questões essenciais”.

“E em Portugal houve um referendo que fez uma escolha muito maioritária que foi que as mulheres não devem ser perseguidas, não devem ser humilhadas e presas como previa o código criminal por razões que têm que ver com a sua vida e com as suas escolhas”, sustentou.

Na óptica de Louça, “tudo o resto, o que tem a ver com a organização do serviço de saúde, com as pessoas que a ele recorrem, tem que ver com decisões práticas, concretas que vão sendo precisadas ao longo do tempo”.

“Mas um critério não pode ser abandonado: respeito pelas pessoas. E se o Dr. Passos Coelho quer lançar confusão na campanha, anunciando a alguns sectores ultra-minoritários da sociedade portuguesa que talvez se pudesse voltar ao tempo da perseguição: pode tirar o cavalinho da chuva”, disse, de forma peremptória.

O bloquista sublinhou o “enorme consenso que reage em nome da defesa das mulheres e em nome do seu respeito”.

“A sociedade portuguesa já é do século XXI e não volta para trás nessas questões”, declarou.

BE denuncia que contratos de auto-estradas são “ilegais”

O coordenador do BE disse ainda que o relatório preliminar do Tribunal de Contas confirma que o Governo reforçou com dez mil milhões de euros as concessionárias das auto-estradas, denunciando que estes contratos são “ilegais” e “têm indícios de crime”.

Francisco Louçã recordou a denúncia por si feita no arranque da campanha, de que “o Estado português tinha negociado à socapa nos últimos meses um reforço de apoio a concessionários de auto-estradas no valor de dez mil milhões de euros”, segundo o Tribunal de Contas.

“Isso provocou silêncio do Governo, com um ministro a dizer que as contas não estavam certas e eu estava errado. Foram hoje publicados alguns elementos essenciais do relatório preliminar do Tribunal de Contas que vai muito mais longe ainda”, sublinhou.

Segundo o líder bloquista, “são mesmo dez mil milhões do reforço do apoio, por cima dos contratos anteriores, aos concessionários das auto-estradas”.

“E além disso, diz o Tribunal de Contas num relatório preliminar que está concluído, que há contratos desses que foram renegociados de uma forma ilegal, sem cumprir a lei”, revelou.

Questionado pelos jornalistas sobre a mensagem que dirigia ao ministro António Mendonça, que disse refutou as acusações de Louçã, o deputado do BE afirmou que “isto não é um problema entre mim e o ministro António Mendonça”.

“É um problema entre o Bloco de Esquerda e o Eng. Sócrates”, declarou.

Assim, é José Sócrates que Louçã “quer ouvir responder, não é qualquer outro responsável do Governo porque isto trata-se de um enorme peso sobre os portugueses”, disse, acrescentando que “o Governo do Eng. Sócrates não é credível”.

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