Motoristas com salários em atraso decidem acampar

             

Trabalhadores da Transgomes, em Braga, garantem que nem o antigo dono nem os atuais, que ainda “não deram a cara”, se responsabilizam pelo atraso nos pagamentos e “já desapareceram camiões” das instalações.

Motoristas de uma transportadora de Braga estão acampados frente às instalações da empresa em protesto pelo atraso no pagamento de salários e para impedir o “desaparecimento” dos camiões da companhia, que foi vendida no início do mês.

Em declarações à agência Lusa, um dos motoristas da Transgomes, Marco Silva, explicou que nem o antigo dono da empresa nem os atuais, que os trabalhadores dizem ainda não conhecer, se responsabilizam pelo pagamento dos salários e subsídios em atraso.

A Lusa tentou contactar o antigo dono da Transgomes, assim como os atuais, mas até ao momento não foi possível.

Segundo Marco Silva, “desde 2009 que tem havido atraso nos pagamentos de salários, mas trabalho nunca faltou, pelo contrário”.

Atualmente, esclareceu, “a empresa está com os salários de junho, julho, os subsídios de Natal e de Férias em atraso” e, disse, “ninguém se chega a frente para resolver a situação”.

 

CE recusa falar em ‘flexibilização’ do programa português – Os Carrascos

Questionado sobre uma eventual flexibilização do programa português, face à situação das finanças públicas, o serviço de imprensa do comissário dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, indicou que a Comissão «nada tem a dizer sobre ‘flexibilização’ ou qualquer outra especulação em torno do desfecho da missão da ‘troika’» que tem início na terça-feira, limitando-se a indicar que as discussões incluirão «as medidas necessárias para alcançar as metas do programa» (Aumento de impostos).

De acordo com o executivo comunitário, a missão irá também rever as medidas adoptadas de acordo do memorando de entendimento entre as autoridades portuguesas e a ‘troika’ (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) com vista a melhorar a eficiência do sector público ( despedimento de funcionários, ficam os afilhados no aparelho de estado) e fomentar a competitividade e o crescimento ( desemprego, baixos salários). * Estes não aprenderam nada com a Grécia e o remédio utilizado é o mesmo. Isto gera recessão/caos.

«Tal inclui a reestruturação das empresas públicas e as reformas dos mercados do trabalho e do produto», acrescentou a Comissão.

manifestação anti-troika com passagem frente à representação do FMI

 

Um grupo de perto de 30 pessoas de várias áreas de intervenção e quadrantes políticos apelou hoje a uma manifestação em Lisboa em 15 de Setembro, contra as políticas da troika, que acusam de promover “o desemprego, a precariedade e a desigualdade como modo de vida”.

O apelo dirige-se “a todas as pessoas, colectivos, movimentos, associações, organizações não-governamentais, sindicatos, organizações políticas e partidárias”, que concordem com as preocupações nele expressas.

A iniciativa surge na véspera do início, amanhã, do quinto exame regular trimestral à execução do programa acordado pelo país na Primavera do ano passado como contrapartida de um empréstimo de emergência de 78 mil milhões de euros da troika Comissão Europeia-BCE-FMI, para evitar que o país tivesse de incumprir pagamentos ou sair do euro.

A manifestação realiza-se no dia 15 para coincidir com uma manifestação idêntica marcada para a capital espanhola. Vai partir da Praça José Fontana, passará pela Maternidade Alfredo da Costa e também pela representação técnica do FMI em Portugal, na Avenida da República, onde poderá terminar, segundo disse ao PÚBLICO uma das subscritoras do apelo, Magda Alves, explicando que o trajecto ainda não está completamente definido.

Contestam a “aplicação de medidas políticas devastadoras que implicam o aumento exponencial do desemprego, da precariedade, da pobreza e das desigualdades sociais, a venda da maioria dos activos do Estado, os cortes compulsivos na segurança social, na educação, na saúde (…), na cultura e em todos os serviços públicos que servem as populações” e queixam-se de que, ao fim de mais de um ano com o programa da troika em vigor, “as nossas perspectivas, as perspectivas da maioria das pessoas que vivem em Portugal, são cada vez piores”.