RTP veio ‘desviar atenções’ do ‘desvio colossal’ das metas orçamentais


A eurodeputada do PS Ana Gomes argumentou hoje que a discussão em torno da privatização da RTP surgiu para «desviar as atenções dos portugueses» sobre o «desvio colossal» do Governo no que respeita «às metas orçamentais».

«Antes de mais, eu percebi que isto tinha sido lançado para a discussão pública como cortina de fumo, para desviar as atenções do desvio colossal do Governo em relação às metas orçamentais, não obstante os pesados sacrifícios pedidos aos portugueses», assegurou.

Considerando uma «total inadequação» ter sido «um consultor do Governo» a anunciar a eventual concessão da RTP1 a privados e o fim da RTP2, a eurodeputada defendeu a existência de um serviço público de televisão e de rádio.

«É fundamental, é da Constituição e é europeu zelar pela existência de um serviço público de rádio e de televisão», afirmou.

Segundo Ana Gomes, trata-se de um serviço «essencial para dar coesão e estimular a identidade nacional», além de ser «um poderosíssimo instrumento de projecção» de Portugal no exterior, «designadamente nas comunidades portuguesas e outras de língua portuguesa».

«Portanto, não me parece de todo» que isso seja «conciliável com um projecto como aquele que foi anunciado pelo consultor do governo» António Borges, acrescentou.

A eurodeputada do PS considerou ainda que, em matéria de RTP, «entretanto, o Governo já recuou».

Mas o primeiro-ministro Passos Coelho, que fez uma declaração em que meteu «os pés pelas mãos», afiançou Ana Gomes, «estava inteiramente ao corrente daquilo que António Borges ia anunciar».

«É inaceitável que se contemple qualquer esquema de concessão ou de privatização em que tudo aquilo que foi construído pelo Estado, em termos de infra-estruturas, seja passado a ‘patacos’ ou, neste caso, a privados, pondo ainda os portugueses a continuar a pagar uma taxa. Tudo isto é inaceitável», insistiu.

A eurodeputada defendeu, contudo, que é “importante” discutir o que é o serviço público de televisão, acerca do qual tem críticas a fazer.

«O único mérito desta actuação do Governo é pôr todos os portugueses a pensar e, espero, a ser mais exigentes do serviço público que queremos continuar a ver assegurado», afirmou.

Lusa/SOL

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