Angola e Opus Dei dominam gabinete das privatizações no Governo


Uma reportagem da revista Visão revela que o recém-nomeado chefe de gabinete do secretário de Estado das Finanças é diretor de uma sociedade de capital de risco ligada à família do presidente angolano.

Rodrigo Balancho de Jesus tem 36 anos e é dois anos mais velho que o secretário de Estado das Finanças que o nomeou, Manuel Luís Rodrigues. Ambos pertencem à Associação de Antigos Alunos da IESE Business School, gerida pelo Opus Dei em Espanha. O secretário de Estado tem sob a sua tutela os dossiês das privatizações e das empresas públicas e pelo seu gabinete passa muita informação confidencial.

Para além do secretário de Estado e do seu chefe de gabinete, também o seu adjunto, Pedro Sampaio, pertence ao mesmo círculo de gestores formados na escola da Opus Dei. E o antecessor de Balancho de Jesus no cargo de chefe de gabinete do secretário de Estado das Finanças, Abel Mascarenhas, também frequentou a mesma escola.

Segundo revela a edição desta quinta-feira da revista Visão, quando Balancho de Jesus foi requisitado pelo ex-colega para o governo de Passos Coelho, ocupava o cargo de diretor de investimento da Erigo, uma sociedade de capital de risco administrada por um filho de José Eduardo dos Santos, Paulino dos Santos, e o seu meio-irmão Tito Mendonça.

A sede da Erigo situa-se um andar abaixo do escritório de advogados SLCM, que assessorou a China Three Gorges na privatização da EDP. E partilha com este escritório o presidente da Assembleia Geral, Miguel Machete, filho do ministro dos Negócios Estrangeiros que pediu desculpas públicas ao governo angolano pelas investigações judiciais que visavam figuras próximas do círculo do poder em Luanda.

Ainda segundo a Visão, um dos administradores da Erigo também é administrador da Lagoon SGPS, empresa que tem sede na mesma morada. Ao lado de Tito Mendonça surge o nome de Dias Loureiro no Conselho de Administração desta empresa gerida por um filho do general angolano Carlos Hendrick da Silva, um dos acusados pelo ativista Rafael Marques no seu livro “Diamantes de Sangue” por cumplicidade com torturas e assassínios na região diamantífera da Lunda.

Para além do secretário de Estado e do seu chefe de gabinete, também o seu adjunto, Pedro Sampaio, pertence ao mesmo círculo de gestores formados na escola da Opus Dei. E o antecessor de Balancho de Jesus no cargo de chefe de gabinete do secretário de Estado das Finanças, Abel Mascarenhas, também frequentou a mesma escola. O peso da Opus Dei nas finanças públicas alargou-se ao gabinete de Carlos Moedas, com a contratação de Tomás Sanches da Gama – outro elemento da associação de antigos alunos da IESE Business School -, entre fevereiro de 2012 até agosto deste ano, primeiro através da encomenda de serviços por ajuste direto e depois nomeado técnico especialista do gabinete do atual comissário europeu para a Ciência.

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