Cavaco “de costas voltadas para o país” e em “estado de negação”


Passos devia ter tido a “humildade” de dizer a Cavaco que não tinha maioria parlamentar, nem condições para governar, defende Marisa Matias, para quem o Presidente não se pode transformar “num factor de instabilidade todos os dias”.

A candidata à Presidência da República apoiada pelo Bloco de Esquerda lamentou nesta sexta-feira que o Chefe de Estado tenha feito “mais uma vez” um “discurso de costas voltadas para o país” e de elogio ao executivo cessante. As declarações de Marisa Matias foram feitas à SIC Notícias, em Bruxelas, onde falou também com o PÚBLICO por telefone.

Nesta sexta-feira, Marisa Matias já tinha conversado com jornalistas italianos, espanhóis, sempre como candidata a Belém. Quando PÚBLICO lhe ligou, estava a dar uma entrevista a um jornal grego, mas interrompeu-a e pediu compreensão: “Portugal tem prioridade.”

Em directo para a televisão e embora ressalvando que o Presidente tem “legitimidade” política para nomear e dar posse ao Governo de Passos Coelho, a eurodeputada tinha considerado, no entanto, “dispensável” que o “árbitro da democracia” tivesse aproveitado “uma vez mais” para “fazer louvores ao Governo cessante”.

Marisa Matias alertou: “Não cabe ao Presidente da República rejeitar ou condicionar o programa de Governo”, frisando que tal é uma competência da Assembleia da República. “Claramente [o Presidente] está a tentar condicionar qualquer programa de Governo e isso está fora do seu papel, sobretudo porque tanto fala em estabilidade e não se pode transformar ele próprio num factor de instabilidade todos os dias”, reiterou ao PÚBLICO.

Sobre a cerimónia que decorreu nesta sexta-feira, a candidata a Belém diz que foi a “tomada de posse de um Governo a prazo, condenado” e que o discurso do primeiro-ministro foi já em tom de “pré-campanha para 2019”. Não foi, disse, o discurso de um primeiro-ministro que está a “apresentar o programa de Governo”.

A eurodeputada do Bloco lembra que existe uma proposta de rejeição ao programa de Governo que deverá ser apresentada por PS, PCP e BE, os três partidos que têm andado em negociações com vista a uma solução de Governo alternativa e que podiam dar ao país, diz a candidata, uma “maioria de estabilidade”. “Não seria necessário esta perda tempo”, lamenta, considerando ainda que Passos Coelho devia ter tido a “humildade” de dizer a Cavaco Silva que não tinha maioria parlamentar nem condições para governar o país.

O “estado de negação” do Presidente, segundo os Verdes
Os Verdes usaram da ironia para criticar o discurso do Presidente da República, considerando que Cavaco Silva “não se conforma” com os resultados eleitorais da coligação PSD/CDS que perdeu a maioria parlamentar e está em “estado de negação”.

O Governo agora empossado “não tem condições para fazer passar um programa na Assembleia da República e, por isso, caso todos os partidos assumam as suas responsabilidades, este Executivo será inviabilizado nos próximos dias 9 e 10 de Novembro”, quando será discutido o seu programa na Assembleia da República e acabará rejeitado pelas moções anunciadas pela oposição, diz o Partido Ecologista Os Verdes.

O partido, que concorreu às legislativas em coligação com o PCP, reiterou o que tem dito desde a noite eleitoral – que há “condições” para a formação de um Governo de iniciativa do PS, com políticas que “contrariem o ciclo de empobrecimento, de precariedade e de desinvestimento fomentado” pelo primeiro Executivo de Passos Coelho.

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