Discurso do filho da múmia paralítica na tomada de posse


Primeiro-ministro frisou que “desvios precipitados deitariam tudo a perder”

Pedro Passos Coelho foi hoje empossado líder do XX Governo Constitucional. E lembrou o resultado das eleições, num apelo à normalidade quando a esquerda parlamentar se prepara para fazer cair o governo. “Tendo recebido um mandato claro para governar, aqui assumo hoje (…) a responsabilidade indeclinável de respeitar essa vontade expressa pelos portugueses”, afirmou. E picou o PS e o seu líder, António Costa: “Ninguém deve arriscar o bem-estar dos portugueses em nome de uma agenda ideológica ou de ambições políticas pessoais ou partidárias”.

Na sala dos Embaixadores do Palácio da Ajuda, onde Cavaco Silva, Presidente da República, deu posse aos 53 governantes (17 ministros e 36 secretários de Estado), o primeiro-ministro reconduzido no cargo garantiu que, tal como nos últimos quatro anos, está pronto para o diálogo com todas as forças políticas.

“Esse sentido e compromisso e de negociação será agora renovado e fortalecido, e o meu apelo ao espiríto de cooperação e de construção de entendimentos estende-se agora a todas as forças políticas, cívicas e sociais”, afirmou Passos Coelho, que leu um discurso de seis páginas e que tinha na primeira fila a sua mulher, Laura Ferreira, ao lado do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

O líder da coligação PSD/CDS acenou com os riscos que podem resultar da instabilidade política, se o governo cair na Assembleia da República, como prometem PS, PCP e BE.

“Desrespeitar o esforço dos portugueses traduz-se por pôr em risco tudo o que juntos alcançámos. E isso, enquanto primeiro-ministro, nunca farei”, garantiu Passos, para reafirmar o seu compromisso com as “contas públicas certas”, o défice abaixo dos 3% no final deste ano e a redução progressiva da carga fiscal das familias e das empresas. E deixou um alerta: “Os desvios precipitados podiam deitar tudo a perder e seria a classe média a pagar o preço, o que não permitirei”.

O primeiro-ministro reiterou a necessidade de Portugal respeitar os compromissos internacionais, como o Tratado Orçamental, e sublinhou que “não há ilusão política que “não há ilusão política que possa disfarçar este imperativo”, no que foi lido como um apelo ao PS, e forças políticas à sua esquerda, para um entendimento.

O apelou foi ainda mais claro. Passos sinalizou a disponibilidade para abrir o programa de governo à negociação com a esquerda, em particular o PS, desde que seja mantida a sua matriz: “Sem desvirtuar a matriz de valores que sustenta o programa sufragado pelos eleitores, o governo agora empossado tem ainda o encargo, com humildade, de mostrar abertura ao compromisso leal e responsável que os portugueses também apontaram como propósito indispensável a assumir por todos os agentes políticos, sociais e económicos para a conformação das políticas públicas”.

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