Dono Disto Tudo – André Macedo


E de repente o governador do Banco de Portugal teve muita pressa. Carlos Costa não aguentou um par de semanas para nomear o gestor que conduzirá a venda do Novo Banco. Escolheu um secretário de Estado em funções, Sérgio Monteiro, um elemento do atual governo, porque, bolas, o banco central é independente, só faz o que lhe apetece. E quem não sabia que é assim – António Costa? – fica desde já avisado que o único calendário a que o BdP obedece é o de Frankfurt, o resto são tribalismos partidários. Subpreocupações. O governo PSD-CDS está para cair antes de se erguer? Outro do PS talvez se consiga levantar nas próximas semanas? Não interessa. O Banco de Portugal é o fiel depositário do Novo Banco e anda a todo o vapor – neste caso, apenas neste caso, age como se não houvesse amanhã. Os ministros vão e vêm, o governador continua sólido e trancado como uma fortaleza que imprime a própria lei. A lei de Carlos Costa. Não importa que o próximo governo possa até ter outras ideias sobre o assunto ou que o ministro das Finanças que se seguirá possa ter reunido um par de reflexões sobre o tema. Não vale a pena discutir. Provavelmente não prestam. O governador quis Sérgio Monteiro e vai tê-lo já. O país nem sequer tinha percebido que era preciso outro gestor para vender o banco que ainda ninguém comprou, mas ficou a conhecer a urgência ontem ao fim da manhã. O governador não se explicou, soubemos a notícia pelos jornais, e ele também não se justificou a seguir, só os políticos têm de prestar contas. Já se percebera que os milhões pagos ao consultor financeiro – escolhido por ajuste direto há uns meses – não tinham servido para muito, a solução agora passa por Sérgio Monteiro. Qualificações e experiência não lhe faltam, é verdade, é justo reconhecê-lo, mas e a política não entra na equação? Não a política partidária, mas a outra, a que recomenda prudência e calma em períodos de transição eleitoral. Vivemos tempos radicais, o governador é o novo Dono Disto Tudo – que triste ironia.

P.S. Contratar Sérgio Monteiro, também funcionário da CGD, para trabalhar com o Banco de Portugal, supervisor nacional, não levanta dúvida nenhuma?

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