Acordo do PS com PCP e BE esvazia encontro de Assis


Da corrupção e da sua percepçãoPoucas caras conhecidas, poucos deputados, pouco entusiasmo. Este era o retrato projectado esta sexta-feira à noite pelos militantes socialistas nos momentos anteriores ao início do encontro promovido por Francisco Assis, que decorreu num restaurante da Mealhada. O anúncio de que já havia acordo para um governo do PS apoiado pelo Bloco e pelo PCP esvaziou o propósito do encontro que chegou a ter, segundo a organização, mais de 400 pessoas inscritas.

O eurodeputado, que é o rosto da corrente alternativa, do PS chegou pontual pelas 20h00 ao encontro, que decorreu à porta fechada. Foi parco em declarações aos jornalistas. Insistiu na importância da reunião que convocou, dizendo que não se trata de uma “questão menor”. “Isto é um momento muito importante da vida do PS. Há quem convictamente entenda que este caminho é o melhor que há e quem, com a mesma convicção, entenda que não é”, disse, sugerindo depois que as “pessoas que entendem que não é [o melhor caminho] se encontrem para reflectir para analisar a situação do país e do PS”.

Sobre o encontro que promoveu disse: “Fica aqui claramente assumida uma linha que é distinta da que prevalece no PS. Cada um tem de assumir as suas responsabilidades e respeitar os princípios fundamentais de uma organização como o PS”. E depois deixou um recado: “Não vou alimentar como nunca alimentei na vida política qualquer atitude de guerrilha em relação a quem no presente dirige o PS”.

Respeito pelas decisões do PS
Sobre as reuniões dos órgãos do partido convocadas para o fim-de-semana pelo secretário-geral do partido, Francisco Assis disse que as decisões que forem tomadas pela Comissão Nacional e pela Comissão Política Nacional são para ser respeitadas. “Cabe-nos a nós todos respeitar essas decisões”, declarou, momentos antes de se sentar à mesa para um jantar onde supõe-se que não faltou o leitão uma vez que o acesso era reservado.

Álvaro Beleza, Eurico Brilhante Dias, João Proença, José Junqueiro, António Galamba, José Lamego, Agostinho Gonçalves, António Braga, Victor Baptista, António Rebelo de Sousa (irmão de Marcelo Rebelo de Sousa), Manuel dos Santos eram algumas das caras conhecidas presentes no encontro, a que se juntou também Narciso Miranda e alguns presidentes de câmaras e outras caras menos conhecidas.

Francisco Assis diz que “não vai alimentar na vida política qualquer atitude de guerrilha em relação a quem no presente dirige o PS” e levanta reservas ao acordo que o PS estabeleceu com o Bloco e o PCP.
Na Mealhada, Assis  falou sobre a situação política do país e deu destaque ao entendimento com vista à formação de um governo de esquerda liderado pelo PS.

Quanto ao entendimento a que os três partidos chegaram, Assis voltou a zurzir na ideia de que o PS não deveria formar governo porque essa – sublinhou – “não é a melhor solução para o país”. “Entendo que um acordo com partidos que têm em relação a nós divergências profundas será sempre um acordo periclitante e terá um efeito a meu ver negativo na capacidade de acção do governo e na incapacidade da acção reformista do governo”, decretou, em declarações aos jornalistas, depois de jantar com um grupo restrito de pessoas.

Na Mealhada, voltou a repetir que o PS deveria ser oposição ao governo e é aqui que ganha corpo a sua divergência politica relativamente ao secretário-geral. “O doutor António Costa está genuinamente convencido que esta é a melhor solução para o país e para o próprio PS e optou por ela e terá já sido alcançado um entendimento com o PCP e com o BE que permitirá a constituição de um governo do PS. Eu tenho uma visão diferente, porque entendo eu um entendimento destes não é a melhor solução para o país”, disse, explicando depois que o “PS deveria assumir-se como um partido da oposição liderando essa oposição a partir das Assembleia da República dialogando à sua esquerda e à sua direita.

Assis é de opinião que o PS não deveria estabelecer “qualquer compromisso de legislatura com ninguém nem com os partidos de direita nem com os partidos de esquerda, avaliando caso a caso as propostas e os documentos submetidos à apreciação parlamentar, ocupando assim um lugar absolutamente central na vida política portuguesa”. Isso permitiria ao PS – segundo explicou – “ocupar um lugar central não ficando refém, que a meu ver vai ficar, de dois partidos: o PCP e o BE, que são partidos que têm uma visão da economia, da sociedade, do projecto europeu, que estão muito distantes daquelas que historicamente sempre caracterizaram o PS e, nessa perspectiva, creio que qualquer entendimento com esses partidos mesmo que momentaneamente pareça um entendimento vantajoso é m entendimento com pouca solidez”.

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