Não é no esganiçar que Arroja erra – Ferreira Fernandes


Esganiçadas as do Bloco de Esquerda? Não me parece. Mas disse-o Pedro Arroja, economista, entrevistado no Porto Canal, sobre dirigentes e deputadas do BE… As que conheço de ouvido (que é a forma de captar o ganido) nenhuma esganiça. Mas também é verdade que só me lembro de ter ouvido três dirigentes bloquistas. A Catarina Martins – por sinal, a voz mais clara e harmónica da política portuguesa, ouve-se cada palavra que diz. É atriz, mas até essa experiência ela tem vencido e cada vez é menos teatral. Em todo o caso, não esganiça. Já ouvi também a Marisa Matias, que tem até voz de baixa frequência, com aquela disfonia a que chamamos rouquidão, perigosamente (mas é lá com ela) perto do falar das tias de Cascais. E ouvi a Mariana Mortágua, sempre por televisão, o que é mau para quem quer ouvi-la, ela é daquelas pessoas que roubam as câmaras e prendem-nos o olhar. Mas fazendo esforço já a ouvi, um falar baixo, ciciado. Esganiçadas as do BE? Não me parece. Mas defendo o direito de Pedro Arroja achá-las esganiçadas e dizê-lo. Embora ele devesse ser prudente para não se enganar tanto em público. Por exemplo, todo o Pedro Arroja parece-me unhas envernizadas e esse todo pode dar-lhe ar de azeiteiro. Eu não o diria. Porém, a seguir ele disse: “Eu não queria nenhuma daquelas mulheres, já tenho pensado, eu não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada. Nem dada!” Agora já posso dizê-lo: ele teve ar de azeiteiro.

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