“O Presidente não tem alternativa que não seja aceitar António Costa”


Entrevista a José Ribeiro e Castro, ex-presidente do CDS

Para o ex-deputado, a coligação não teve maioria absoluta porque não trabalhou para ela. Diz que a proposta de Passos de uma revisão constitucional extraordinária só serve para “incendiar os ânimos”. E afirma que todos os candidatos presidenciais estão alinhados com o PS, incluindo Marcelo.

Que decisão deve tomar o Presidente da República (PR)?

O PR não tem outra alternativa séria e sólida que não seja a de aceitar António Costa e o governo socialista. Estou na oposição a esse governo mas não sou pela obstrução ao funcionamento dos mecanismos parlamentares. Não se pode governar contra o Parlamento. Manter o governo em gestão seria uma situação completamente anormal e de um grau de confrontação aguda contra o Parlamento, creio que inconstitucional e geraria uma conflitualidade política e social como nunca vimos no nosso país.

E como vê a proposta de revisão constitucional feita esta semana por Pedro Passos Coelho, para convocar eleições antecipadas?

Não tem sustentação possível. É uma quimera que jamais acontecerá. Com o devido respeito, não faz o menor sentido, a não ser para incendiar os ânimos. Aquilo que faz sentido é que um candidato dissesse – confrontado com os problemas que resultaram da formação deste Parlamento e com o nível de confrontação que existe -, eu, sendo eleito Presidente da República e verificando que se mantém um clima de aguda confrontação parlamentar e de falta de cooperação, com instabilidade latente, nos termos da Constituição reunirei o Conselho de Estado, ouvirei os partidos representados na Assembleia da República, convocarei eleições legislativas para o dia 29 de maio (é o primeiro dia em que elas podem acontecer).

E como a direita se deixou chegar a esta situação?

Cometeram-se erros, a começar pelo processo de constituição da coligação. O projeto da coligação para ter autenticidade e força devia ter sido decidido há um ano, logo a seguir ao congresso do partido no início de 2014 e antes das europeias. A coligação não teve maioria absoluta porque não trabalhou para ela. O facto de terem sido feitas listas conjuntas para as europeias e não o terem feito logo para as legislativas enfraqueceu a credibilidade das europeias e os resultados foram catastróficos. Se se tivesse definido logo aí as listas conjuntas, creio que se teria governado com mais consistência no último ano e não em voo de planador. Teria passado para a opinião pública uma imagem de coesão das lideranças dos dois partidos, que era o ponto mais fraco. Viu-se durante a campanha que a articulação impecável entre Paulo Portas e Passos Coelho gerou uma resposta positiva do eleitorado. Se tudo isso fosse tratado antes provavelmente teríamos tido os nove deputados que faltam e não estaríamos metidos no sarilho que estamos. Se a coligação tivesse interiorizado logo a 4 de outubro que tinha perdido a chave para a maioria absoluta tinha de ter ido logo procurar a chave noutro sítio, com um acordo com o PS.

Mas Passos Coelho deixou isso implícito nessa noite…

Depois, o PSD e o CDS reuniram os conselhos nacionais para aprovar o programa de governo como se estivessem sozinhos. Além disso, um projeto gerido com tempo, com um programa de reformas, geraria um candidato presidencial que estaria no terreno, na campanha, a apoiar as propostas da coligação. Mesmo se não se tivesse atingido a maioria absoluta, ele estaria agora no terreno para recuperar. Perdemos a maioria, perdemos o governo e não temos candidatura presidencial. Todos os candidatos que estão no terreno estão alinhados com os interesses do PS

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