Costa acusa Governo de fraude e fala na “roubalheira” do BPN e compra de submarinos


O secretário-geral do PS fez esta quarta-feira um ataque violento aos líderes do PSD e CDS-PP após estes terem secundarizado o aumento do défice, acusando-os de “fraude” e falando na “roubalheira do BPN” e na compra dos submarinos.

António Costa falava no jantar comício do PS em Vila do Conde, onde retomou a questão dos dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre a evolução do défice em Portugal, para concluir: “Em terra de pescadores é caso para dizer que ‘pela boca morre o peixe'”.

 

“Os resultados deste Governo foram uma fraude e já não há mentira que disfarce essa fraude”, declarou.

Após uma hora e dez minutos de discursos, já com a plateia meio adormecida, o líder socialista fez uma intervenção breve, mas com acusações duras a Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.

 

António Costa pegou nos dados do INE, que concluem que Portugal fechou 2014 com um défice de 7,2%, e insurgiu-se contra o argumento base invocado pelos líderes da coligação PSD/CDS-PP, segundo o qual o acréscimo no défice resultou de “um registo contabilístico” para acomodar a verba transferida pelo Estado para o Novo Banco.

 

“Então também não era um mero registo contabilístico quando os nossos défices aumentaram porque tivemos de registar os submarinos que Paulo Portas comprou? E não era um mero registo contabilístico quando tivemos de mobilizar dinheiro para estabilizar o sistema bancário, depois das brincadeiras e roubalheiras dos amigalhaços do BPN (Banco Português de Negócios)?”, questionou o líder socialista, recebendo uma prolongada ovação.

 

O secretário-geral do PS manteve este registo de crítica cerrada “à dupla Passos/Portas”, dizendo que o primeiro-ministro deu uma ajudazinha ao “embuste” da desvalorização do aumento do défice em 2014, ao alegar que o Estado até recebe 120 milhões de juros com a operação financeira.

 

“Mas quem quer Passos Coelho enganar? Quer que o país se esqueça que o dinheiro que meteu no BES é dinheiro que pediu emprestado e sobre o qual está a pagar juros. E que o Estado não está a fazer qualquer negócio, mas, antes a gastar o nosso dinheiro, o dinheiro dos contribuintes, para salvar um banco?”, perguntou.

 

Costa referiu a seguir que, ainda no início deste mês, “quando o Governo tinha a expectativa que nos ia enganar com uma venda à pressa [do Novo Banco], dizia que era preciso vender rápido para não desvalorizar e para estabilizar o sistema financeiro”. “Agora, perante o fracasso, dizem que afinal não há pressa. É preciso muita lata”, comentou, elevando o seu tom de voz.

 

O secretário-geral do PS falou depois “preto no branco”, dizendo que a “dupla Passos Portas parece uma dupla de ilusionistas que, por palavras mágicas, transformam em mentira o que é verdade e em verdade o que é mentira”. “Mas estão enganados e foram desmascarados com os dados do INE”, sustentou, antes de considerar que o Programa de Estabilidade apresentado pelo Governo em Bruxelas tem agora a sua credibilidade “ferida”, tendo mesmo “ruído como um castelo de cartas”.

 

Perante o aumento do défice em 2014, António Costa fez então um repto à coligação PSD/CDS-PP para que explique como vão cobrir o dinheiro em falta nos próximos anos. “Quanto é que vão cortar mais do que os 600 milhões de euros que pretendem retirar às pensões? Quanto é que pensam cortar em salários, pensões e apoios sociais?”, questionou.

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