Volkswagen corta 30% do investimento. Autoeuropa não consta dos projectos mencionado


Volkswagen corta 30% do investimento. Autoeuropa não consta dos projectos mencionados

A redefinição de investimentos que a nova administração do grupo Volkswagen anunciou, no centro do furacão da fraude das emissões tornada pública a 18 de Setembro, vai levar ao corte do orçamento anual do grupo, para 12 mil milhões de euros, ainda que permitindo o reforço da divisão de veículos eléctricos, anunciou hoje o CEO. Matthias Müller disse ainda que não haverá corte de importantes projectos estratégicos e que serão intensificados os esforços para resolver o escândalo das emissões.

Face aos 13 mil milhões de euros previstos (valor hoje indicado pelo construtor), os cortes de 1.000 milhões de euros, anteriormente anunciados pelo presidente do grupo, serão feitos do lado das propriedades, fábricas e equipamentos e activos intangíveis.

Num outro quadro, e segundo contas da Bloomberg, o construtor cortará 30% no investimento face à média anual de 17,1 mil milhões de euros anunciados no ano passado para um prazo de cinco anos.

“Estamos a operar em tempos incertos e voláteis, e a responder a isto”, afirmou Matthias Müller, em Wolfsburg, sede do grupo, após uma reunião do Conselho de Supervisão. “Vamos priorizar estritamente todos os investimentos e despesas. Como anunciado, tudo o que não é absolutamente necessário será cancelado ou adiado”, disse o CEO do grupo alemão.

A administração e os sindicatos estão em conversações para determinar como será aligeirado um grupo que conta com 12 marcas e mais de 300 modelos. Desde 2008, indica a Bloomberg, o grupo mais que duplicou o valor do investimento anual.

As tecnologias alternativas terão um reforço de 100 milhões de euros no próximo ano, indicou Matthias Müller na reunião do Conselho de Supervisão. “Não vamos fazer o erro de economizar no nosso futuro. Por esta razão estamos a planear um aumento adicional de investimento no desenvolvimento de mobilidade eléctrica e na digitalização”, afirmou o CEO do grupo. A incidência especial irá para sistemas de motorização eléctrica para os modelos da Volkswagen, Audi e Porsche.

A próxima geração do VW Golf e do Audi Q5, a nova fábrica polaca para o comercial Crafter e as despesas relativas à plataforma modular eléctrica, serão o foco. Aproximadamente 50% do ‘capex’ será aplicado nas 28 fábricas do grupo na Alemanha, indica o comunicado.

Ainda que a Autoeuropa não seja referida no comunicado do grupo como estando do lado do investimento a prosseguir, também não o é do lado dos cortes. Neste caso, é indicado o cancelamento do novo centro de ‘design’ em Wolfsburg, a anunciada linha de pintura no México e o adiamento do Phaeton. Para as “próximas semanas” são anunciadas “revisão e potencial cancelamento de despesas adicionais”, mas, explica o comunicado, “sem colocar em risco a nossa viabilidade”. De qualquer modo, e segundo garantia expressa pelo presidente ao então ministro da Economia português Pires de Lima, os investimentos para a fábrica portuguesa continuam como planeado.

 

Ícone arquitectónico da Alemanha de leste em risco

Além do cancelamento do centro de ‘design’, a crise poderá afectar um dos símbolos arquitectónicos recentes da Alemanha industrial, noticia a revista financeira “WirtschaftsWoche”. Ali é produzido o Phaeton, modelo para o qual a Volkswagen definiu há um mês, um futuro como veículo puramente eléctrico. O lançamento deveria acontecer em 2019-2020. Agora, o CEO da companhia diz que o modelo topo-de-gama da marca Volkswagen será adiado “um pouco”.

“A fábrica transparente é um porta-estandarte tanto para a Volkswagen como para a Alemanha como centro da produção automóvel”. A frase pertence a Martin Winterkorn, ex-presidente do grupo Volkswagen, que a proferiu há quatro anos, por altura da celebração de uma década de existência deste edifício.

Situada em Dresden, na ex-República Democrática Alemã, a fábrica onde é produzido em exclusividade o topo-de-gama VW Phaeton, deverá perder o fabrico deste modelo, que na próxima geração será, por decisão da actual administração, um automóvel totalmente eléctrico.

A “Glaeserne Manufaktur” (“fábrica transparente”) permite ver a linha de montagem onde os Phaeton vão ser fabricados. “Apenas em Dresden se pode ver automóveis a ser produzidos mesmo no coração da cidade”, dizia Winterkorn em 2011. Nessa altura, já mais de um milhão de pessoas tinha visitado o edifício, palco de concertos, óperas e diversos outros eventos. Tal como o Phaeton, que produz – e que a Bernstein designou como “o carro europeu dos tempos modernos que mais dinheiro perde”, com 28.101 euros de prejuízo por cada carro vendido, produção sempre muito aquém da previsão anual de 50 mil unidades e perdas acumuladas de quase 2.000 milhões de euros –, a fábrica de Dresden foi inaugurada como símbolo do poderio da Volkswagen, a marca nascida com o cunho de “carro do povo”.

Projecto apadrinhado pelo icónico líder Ferdinand Piech – afastado este ano do grupo, após luta com Martin Winterkorn, que acabou ele próprio por sair, há dois meses, “empurrado” pela fraude das emissões – ao Phaeton foi dada, no início do século, a missão de combater o líder do segmento, Mercedes-Benz Classe S. Sem sucesso. O presidente do grupo alemão quer levar o Phaeton para uma fábrica diferente, onde já sejam produzidos modelos da Porsche e Audi, indica a WirtschaftsWoche, apontando que os 500 funcionários da fábrica de Dresden, que pretende fechar no próximo ano, serão enviados para outras unidades.

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