Em Espanha, os eleitores estão cansados de maiorias absolutas


A única coisa que parece certa sobre o resultado das eleições legislativas de 20 de Dezembro em Espanha é que nenhum partido obterá maioria absoluta. Mas esse é mesmo o desejo dos espanhóis: quase seis em cada dez espanhóis não desejam ter outra maioria absoluta como a do Partido Popular (PP) que governou durante a última legislatura. Querem coligações, que os novos partidos consigam chegar ao poder com as suas novas ideias, ainda que lado a lado com os tradicionais. Não querem que tudo fique como é costume.

“Até hoje, ficar em primeiro lugar era sinónimo de governar, mas já não é”, escreve no jornal El País o sociólogo Joan Navarro. O PP deve ganhar as eleições, com 28,6% dos votos, que lhe permitirão obter entre 120 e 128 deputados, segundo a mais recente sondagem do Centro de Investigações Sociológicas (CIS), ouvindo cerca de 70 mil pessoas, e cujos resultados foram divulgados esta sexta-feira por este diário espanhol.

Há ainda 41,6% de indecisos, quando começa a campanha eleitoral. Mas pelo que se vê neste grande estudo sobre as intenções de voto, o PP não deve conseguir formar governo sozinho. Ainda que vencedor das eleições, obtém menos votos do que o PSOE em 2011, quando perdeu de forma retumbante as legislativas. O PP precisará, provavelmente, de procurar apoio no Cidadãos, um novo partido que procura definir-se como uma formação do centro – o inquérito dá-lhe 19% dos votos, e 63 a 66 assentos parlamentares.

Quem escolherá Rivera?
Isto partindo do princípio que Albert Rivera, o líder do Cidadãos, aceitará ligar o seu destino ao do PP e à muito desgastada imagem do presidente do Governo Mariano Rajoy, que aos 60 anos leva 34 a desempenhar vários cargos. Enfrenta hoje uma série de políticos jovens, com novas ideias e novas ideias de fazer política – e carrega o peso das muitas revelações de corrupção no PP, que foram sendo reveladas ao mesmo tempo que impunha uma dura política de cortes e austeridade. Aliás, comprometeu-se a não governar se não ganhar.

As coisas poderiam ser diferentes, no entanto, se a liderança do PP mudasse. Se passasse, por exemplo, para as mãos da vice-presidente e porta-voz do Governo, Soraya Sáenz de Santamaría. Rajoy já a designou para o substituir nos debates entre os líderes políticos antes das eleições – o El País não aceitou recebê-la, mas ela deve estar presente no canal de televisão Antena 3, na próxima segunda-feira. A número dois da lista do PP por Madrid, a seguir a  Rajoy, tem marcado presença em inúmeros programas de televisão – políticos e de entretenimento, nota o El País, mas não responde a perguntas sobre a hipótese de substituir o actual presidente do Governo.

Claro que há sempre a hipótese de Rivera, o líder que mais espanhóis vêem positivamente, preferir ligar-se ao PSOE. À frente dos socialistas está Pedro Sanchez, outro líder de nova geração, mas que não está a conseguir conquistar a confiança generalizada dos espanhóis. Na região de Madrid, o PSOE poderia mesmo ser relegado para quarta força. A sondagem divulgada pelo El País prevê que tenha entre 77 e 89 deputados, e 20,8% dos votos, o que é pouco mais que o Cidadãos.

Rivera tem uma nota de 4,98 numa tabela de aprovação de líderes do CIS que vai até 10, seguido por Alberto Garzón, da Esquerda Unida-Unidade Popular, com 4,62 e de Pedro Sánchez, com 4,59. O presidente do Governo, Mariano Rajoy, é o líder político que recebe a nota mais negativa: 3,31. A tendência está em curva para a esquerda.

E depois dessa curva está lá à espera o Podemos, que é hoje a quarta força política nacional. Deve eleger 23 a 25 deputados, tendo 9,1% das intenções de voto. Está longe da força que no início do ano se previa que tivesse nestas eleições. Mas pode aliar-se a outras forças de esquerda, que juntas poderiam ter até 24 lugares, de acordo com os resultados desta sondagem.

“Ninguém estava à espera que ganhássemos as eleições”, desvalorizou esta sexta-feira o líder do Podemos, Pablo Iglésias, em Villaralbo (Zamora), no seu primeiro acto da campanha eleitoral oficial, ao lado do seu pai, com quem colou alguns cartazes. Mas o partido de Iglésias é dado como o provável vencedor das eleições na Catalunha – onde se apresenta sob a etiqueta En Comú-Podem. Segundo a sondagem do CIS, pode obter entre 10 e 11 dos 47 lugares em jogo para o Congresso nacional.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s