Nem com os murros do familiar consegue. PP disponível para acordo com o PSOE para “evitar uma solução à portuguesa”


O PP de Mariano Rajoy está disponível para um acordo pós-eleitoral com o PSOE para evitar uma solução “à portuguesa” que, consideram, poria em risco a recuperação económica, afirma esta sexta-feira a imprensa espanhola em bloco.

O partido de Rajoy, no poder desde 2011, tem vindo a advertir de comício em comício – com maior intensidade à medida que se aproximam as eleições gerais de domingo – para o que considera ser “o risco de um acordo tripartido” entre PSOE, Ciudadanos e Podemos, a chamada “solução à portuguesa”, que ecoa o governo do PS apoiado por PCP e Bloco de Esquerda.

Nesse cenário, comentado por dirigentes populares em campanha na imprensa de hoje, o PSOE de Pedro Sánchez até poderia nem ser a força mais votada no domingo, mas conseguiria um acordo com os novos partidos – de Albert Rivera (Ciudadanos) e Pablo Iglesias (Podemos) – com o objetivo único de afastar a direita do poder.

As sondagens indicam que o PP vai ganhar as eleições, mas longe da maioria absoluta (um mínimo de 176 deputados), com PSOE num segundo lugar ainda desconfortável devido à perseguição próxima do Ciudadanos e do Podemos, muito equiparados mas perto dos 20 por cento.

Os dirigentes ouvidos pelos jornais espanhóis indicam que, à falta de atingir os 30% na votação, baixa-se a fasquia para aceder a um acordo com o PSOE. Assim, para “evitar uma situação à portuguesa”, a linha vermelha do PP passou a ser “uma vantagem razoavelmente ampla” para os socialistas.

Se nas sondagens do início da semana os oito pontos de diferença para o PSOE lhes parecia pouco, neste momento as mesmas fontes já consideram que cinco pontos percentuais são mais do que suficientes para validar esta estratégia.

Ainda assim, os “populares” têm outra linha vermelha: o líder do PSOE. Uma corrente não quer Sánchez à mesa e outra considera difícil que Pedro Sánchez aceite um acordo deste tipo enquanto estiver à frente dos socialistas. Por isso mesmo, segundo a imprensa, preferem uma outra dirigente do PSOE, a presidente regional andaluza Susana Díaz.

Num comentário na rede social Twitter, Díaz apressou-se a classificar a eventual manobra como uma estratégia “patética e de perdedores”. “Nunca farei acordos com o PP, que estão a distribuir bordoadas às cegas”, considerou.

PP – que agora chama PSOEMOS aos socialistas, para o aproximar ao partido de Pablo Iglesias – acredita que se obtiver um mau resultado no domingo (atualmente detém 186 deputados no parlamento e as sondagens atuais não lhe dão mais de 118), ainda assim será melhor do que o PSOE.

Os “populares” consideram que uma derrota do PSOE (se obtiver menos assentos do que em 2011 será o pior resultado de sempre dos socialistas em Espanha), levaria à demissão de Pedro Sánchez, o que abriria caminho a discutir com a sua provável sucessora.

Em Portugal, a coligação de direita entre o PSD e o CDS foi mais votada nas eleições legislativas de 4 de outubro, mas o segundo partido mais votado, o PS de António Costa, chegou a um acordo político de incidência parlamentar com o Bloco de Esquerda e o PCP para afastar o governo de Passos Coelho.

No domingo, mais de 36,5 milhões de eleitores espanhóis vão às urnas para escolher um novo governo, elegendo 350 deputados em 52 circunscrições. Uma vez formado o novo parlamento, este votará para escolher o presidente do Governo, que até ao momento em Espanha sempre saiu da força mais votada.

Na primeira votação para presidente do Governo é necessária uma maioria absoluta, mas na seguinte basta uma maioria simples.

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