Laranja podre

A apagadora de promessas

Apagador de promessas

Acordo entre PS e PSD. Avaliação dos professores vai avançar. Negociações estão praticamente concluídas e o acordo iminente. PSD deixa cair a suspensão da avaliação e o PS aprova a proposta laranja, que já foi entregue no Parlamento.

Eu bem avisei durante a campanha eleitoral que a posição que o PSD defendia relativa à avaliação era oportunista e mentirosa. Ambos os partidos estão presos às directivas da UE e ambos pensam da mesma forma. Os professores que foram atrás do canto de sereia da Manuela Ferreira Leite vão agora ver o logro em que caíram. Quer queiram quer não, os professores só podem contar com a sua força e determinação para derrotar estas políticas. By KAos

Um texto com o qual concordo plenamente.
impaciências
É, confesso, ultimamente ando um tanto impaciente, mau-feitio, irritada com merdinhas que, noutras alturas, me deixariam indiferente. Irritam-me as quintinhas do FB, os coraçõezinhos, os inocentes entreténs dos meus amigos (sorry…) numa altura em que, contra os professores, se cozinham pratos envenenados entre sindicatos, ME e sabe-se lá que partidos políticos.

Irritou-me hoje sobremaneira um mail que recebi : um apelo para divulgar por “todos os meus contactos” !! , e um texto (publicado no site do Ilídio Trindade) com o seguinte título: «VAMOS SOLICITAR AO PSD A CLARIFICAÇÃO DA SUA POSIÇÃO.» Ora tenham dó!! Para começar, o texto é de uma tibieza .. confrangedora. Vejam só como acaba, digam-me lá se o problema é meu: «Assim, urge esclarecer os eleitores, nomeadamente os Professores, sobre qual é efectivamente a vossa posição. A oposição tem maioria, mas…  Com os melhores cumprimentos, »

“solicitar”??!! “os melhores cumprimentos”?? !! Pois eu, se tivesse votado PSD e os visse agora desdizer-se, romper promessas e supostos pactos com a classe docente – muita – que neles confiou (!!!!) – eu, estaria absolutamente possessa com o seu descaramento, a falta de carácter, a vassalagem ao PS. Eu já lhes teria escrito, mas chamando-os traidores e vendidos. Já os teria insultado em tudo onde pudesse – blogues e mails e jornais. No FB, por exemplo! E já me teria manifestado em incontida fúria – em frente à sua sede, à AR, o que fosse.
Ora acontece que eu não votei neles.
Eu escrevi para quem quis ler que era um erro crasso essa opção.
Pois então, que se mexa quem tão convicta e empenhadamente andou a fazer patéticos apelos ao voto no PSD! Batam com a cabeça nas paredes, arrepelem-se quanto queiram (e, desculpem, merecem ..), peçam contas, protestem.

Agora não me venham é com rodriguinhos e pedidos de cumplicidades.
Eu, para esse peditório, NÃO DOU!

Publicada por AL em O vento que passa

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O erro crasso do PSD


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In Jornal I, 14/11/2009

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In DN online, 13/11/2009

O PSD e, especificamente, o líder do seu grupo parlamentar, Aguiar Branco, vinham assumindo uma postura de grande coerência e determinação na forma como estavam a honrar os seus compromissos públicos com os professores, sendo visível, nas escolas, a admiração e o respeito que os professores vinham manifestando pelas posições do partido.
Com esta postura de aproximação ao PS, abdicando da exigência de suspensão do modelo de avaliação e do esforço de convergência com os outros partidos da oposição para suspenderem o modelo de avaliação e os seus efeitos, o PSD prepara-se para desbaratar todo o crédito que vinha granjeando junto da classe docente.
Com a agravante de que os professores não esquecem os compromissos públicos do PSD em suspender este modelo de avaliação e, sobretudo, a promessa pública feita ao PROmova, em Vila Real, pelo cabeça de lista local, Montalvão Machado, de que o modelo de avaliação e os seus efeitos seriam travados na Assembleia da República.
Acontece que existe uma diferença crucial entre votar no Parlamento a suspensão do modelo de avaliação e dos seus efeitos, isto é, assegurar a não penalização dos que se recusaram a participar nesta farsa de avaliação (o que é apenas recomendado, mas a que a ministra já respondeu negativamente), mas, sobretudo, não permitir que esta avaliação introduza diferenciações entre os professores, ou deixar ao governo a substituição do modelo, mantendo as vantagens injustas decorrentes das avaliações de “excelente” e de “muito bom”.
E este constitui o erro crasso do PSD, pois não se pode afirmar que o modelo de avaliação em vigor “foi muito mau em todos os aspectos para a dignidade dos professores e para o funcionamento das escolas”, para, em simultâneo, se abdicar de tirar daqui todas as consequências.
Permitir que o governo valide classificações de “excelente” e de “muito bom”, obtidas no quadro do modelo de avaliação em vigor, é uma postura irresponsável, inconsequente, destituída de seriedade e de exigência, mas sobretudo, injusta para aqueles milhares que assumiram o dever cívico da “desobediência civil” que permitiu pôr fim a um modelo errado, incompetente e absurdamente injusto. Quem pactuou com a incompetência deste modelo e procurou, de forma oportunista, aproveitar com a mesma, não pode ser recompensado com vantagens em termos de carreira e de concursos face aos colegas resistentes e que prestaram um inestimável serviço à qualificação da escola pública e à dignificação dos professores.
Além do mais, porque estas classificações aconteceram em condições de não reconhecimento da competência dos avaliadores, de deterioração de relações pessoais e profissionais, bem como de sucessivos incumprimentos de prazos e de procedimentos. E, acima de tudo, porque essas classificações máximas não traduzem com rigor e objectividade a adequada distribuição das competências e qualificações dos professores em cada escola, pois muitos dos melhores optaram pela defesa da sua dignidade, pela exigência de uma avaliação rigorosa, credível e justa, assim como privilegiaram a preservação do investimento nas aprendizagens dos seus alunos e não a burocracia asfixiante da sua avaliação.
Para mim, pessoalmente, é uma pena ver o PSD interromper, de forma tão inexplicável e injustificada, uma trajectória de aproximação aos professores e às suas justas reivindicações.
A concretizar-se esta opção, resta-me o lamento e o arrependimento pela esperança que coloquei, e contribuí para que outros colegas o fizessem também, no PSD.

Octávio V Gonçalves
(NEP e NBlogger)

O que une António Preto e José Sócrates?

Telefonemas

O empresário que entregou uma mala de dinheiro a António Preto foi sócio do primeiro-ministro num negócio de bombas de gasolina.

O empresário socialista Sobral de Sousa, acusado com o social-democrata António Preto no “caso da mala”, foi sócio de José Sócrates , Armando Vara e Rui Vieira (dirigente nacional do PS e marido de Edite Estrela) no início dos anos 90.

Associaram-se na empresa Sovenco, na Amadora, e António Manuel Simões Costa, fundador do PS/Lisboa, foi o mentor da empresa que teve vida curta.

António Preto conheceria Sobral mais tarde, em 1997, e garante: “Nunca me disse que conhecia Sócrates ou Vara”. Simões explicou ao Expresso como nasceu a Sovenco e o que o aproximou dos demais sócios: “Conheci-os nas campanhas do partido e estivemos todos com Guterres”. O partido aproximou-os e Guterres uniu-os. Mas também os haveria de separar. Sócrates, Vara e Rui Vieira prosseguiram a carreira política. O primeiro chegou a líder do partido e do Governo, o segundo foi ministro de Guterres e fez carreira na banca, e Rui Vieira chegou à direcção nacional do PS e a deputado.

Sobral de Sousa foi conciliando a vida política com a empresarial e dele Manuel Simões lembra-se do primeiro grande negócio: “Um dia veio ter comigo e perguntou-me se queria entrar na compra de um terreno na Figueira da Foz”. Simões não se entusiasmou. “Fui burro. Ele e o João (antigo presidente da União de Leiria) já o tinham vendido antes mesmo de o comprar. Não gastaram dinheiro e ganharam 140 mil contos cada”.

Mas o veterano na política era Manuel Simões: “Fui assessor do ministro do Trabalho Costa Martins em 1975, transitei para o mandato de Marcelo Curto, fui o primeiro dirigente da FAUL” e, garante, se o PS tem uma sede na Buraca a ele o deve: “Fui eu que a comprei”.

 

Amigos do Parlamento

 

Em 1989, ano de fundação da Sovenco, Sócrates e Vara já tinham consolidado uma amizade feita no Parlamento, enquanto deputados. Então porquê esta incursão no mundo empresarial? Simões lembra uma conjugação de factores: “Cavaco Silva governava com maioria absoluta. E, entretanto, os suecos, com quem eu tinha boas relações, sugeriram-me que arranjasse quem representasse os pneus Jislaved e as jantes Ronal”.

Lembrou-se destes sócios por razões diferentes: “Sobral foi o responsável pela implantação do Círculo de Leitores. Vendi-lhes milhares de contos em peças de cristal; Rui Vieira trabalhava numa seguradora em Leiria, onde eu tinha uma fábrica; Sócrates e Vara conhecia-os das campanhas do PS. Éramos todos amigos e próximos de Guterres”.

Pneus, jantes e estações de serviço

Recorda-se de Sócrates e Vara terem chegado ao pé dele e de lhe terem pedido apoio para darem início a uma vida empresarial. Simões sugeriu que se juntassem a ele na representação dos pneus, de jantes e da compra de terrenos para construção de estações de serviço. O negócio foi-se fazendo, ainda que a empresa tenha sido encerrada e todo o seu património integrado numa outra (ANSIEL). Mas, diz Simões, Sócrates, Vara e Vieira pouco tempo ficaram.

“Ao fim de um ano vieram ter comigo e disseram-me que Guterres lhes tinha apresentado um projecto para ganhar o partido. Respondi-lhes que se aceitassem deviam deixar a empresa. Mas tal como entraram sairam, não fizeram um negócio que fosse e o património que havia foi o que ficou”. Manuel Simões ficou na empresa e não tem razões de queixa. Com a Dinara, empresa de troféus de cristal faz negócio “com quase todas as autarquias, excepto a da Amadora”, apesar de conhecer bem o presidente Joaquim Raposo: “Conheço-o, ainda ele era taxista”, diz.

A amizade com os restantes ficou e Simões caracteriza-os: “Sócrates é decidido, mas incapaz de violar princípios; Vara é voluntarioso e criativo e Sobral um negociante nato que gosta muito de dinheiro”.

O deputado envergonhado

O deputado envergonhado

A minha personagem favorita da novela mediática em que se tornaram as acusações de Saramago aos “maus costumes” do Deus bíblico é o deputado europeu do PSD Mário David que, aí vendo sofregamente a oportunidade de gozar os seus 15 minutos de glória, resolveu enfrentar o Nobel munido apenas da funda do católico-patrioteirismo.

David quer que Golias renuncie à nacionalidade portuguesa, pois quem não é por Deus e pelo Benfica não é bom português nem bom chefe de família. A pequena e saloia pátria do deputado confunde-se com o quintalório das suas crenças e não vai além da cerca do catecismo e do portão em ruínas do “Deus, Pátria e Família”. David é, porém, um homem civilizado e não corre com os intrusos à espadeirada como D. Afonso Henriques com os mouros nem de tição na mão como D. Manuel com os judeus. Pede-lhes delicadamente que saiam pelos seus próprios pés. O problema é se eles, como parece que acontece com Saramago, não quiserem sair. Irá o deputado, que “tem vergonha de ser compatriota” do Nobel, despedir-se ele, com justa causa, de ser português? Seria uma perda incalculável para o país.

Um casal desavindo

o Abismo

01h16m

Estou convencido de que os debates eleitorais entre candidatos pouco aquecem ou arrefecem, mas o espectáculo de dois indivíduos à caça de votos em grande plano tem virtualidades para dar algum ânimo ao habitual tédio televisivo. Vi apenas, numa pachorrenta noite de sábado sem futebol, aquele em que um homem satisfeito consigo mesmo discutia com uma mulher zangada. Pareceu-me uma cena da vida conjugal, cada um culpando o outro da ruptura da união de facto e do mau comportamento da prolífica descendência de problemas que ambos e os respectivos partidos geraram e deixaram ao país e andam hoje por aí à solta, entregues a si mesmos, e senti-me desconfortavelmente na pele de um consultor sentimental. Como sempre, houve de tudo: recriminações recíprocas, ressentimento, vitimização. Até caneladas por baixo da mesa, como aquela da “credibilidade académica” dela e a sua aljubarrótica constatação, com a suspensão do “Jornal Nacional” da TVI no horizonte, de que “Portugal não é uma província de Espanha”. A partilha de bens e de responsabilidades parentais de um casal desavindo nunca é coisa bonita de ver.

Manuel António Pina In J.N.

“Diferença e desigualdade. Aí está o programa do PSD”, diz Francisco Louçã

Centenas de pessoas estiveram em Tavira para ouvir as ideias do Bloco
Francisco Louçã criticou ontem os partidos da direita por só apresentarem os seus programas eleitorais a um mês das eleições legislativas marcadas para 27 de Setembro. “Só por falta de respeito para com as pessoas, num país com grandes dificuldades, é que o PSD vem agora apresentar o seu programa eleitoral”, afirmou o deputado do Bloco de Esquerda, insistindo na maior dificuldade do PSD: “nada têm para apresentar”. Ver aqui as fotos do comício e da arruada.

Para o coordenador do Bloco de Esquerda, contudo, a forma como Cavaco Silva tem vetado todas as leis que defendem o alargamento dos direitos, sobretudo das mulheres, é representativa do que será o programa eleitoral do PSD. “O Presidente da República não esteve de acordo com a lei da paridade e o PSD disse que sim. Quando se aprovou a lei do divórcio para as pessoas não se arrastarem em tribunal, e terem o respeito que merecem quando não querem viver juntos, o PSD concordou com o veto. E agora, com as uniões de facto, o Presidente da República não concordou e o PSD apoiou”, afirmou Louçã. “Diferença e desigualdade. Aí está o programa eleitoral do PSD”.

A mesma insensibilidade social pode ser encontrada no PP, considera o dirigente do Bloco. Quando o país vive a maior crise dos últimos anos e injecta milhares de milhões de euros na banca, o PP já fez as “contas certas” para combater a crise. “As contas certas de Paulo Portas são cortar 125 milhões de euros aos 150 mil pobres que recebem um apoio de 80 euros por mês. Se há um problema, tiramos o dinheiros aos mais pobres”.

Francisco Louçã falava no último comício de Verão do Bloco, que decorreu em Tavira, uma iniciativa que levou o partido a percorrer o país em mais de 40 sessões que juntaram várias dezenas de milhar de pessoas do Portimão a Vila Real, de Penedono a Amares.

Criticando as diferenças e semelhanças da “política do negócio” que tem alternado o poder nos últimos 18 anos, Louçã criticou o Governo de José Sócrates pela forma como tem sobreposto o interesse público aos interesses privados, insistindo nas “ruinosas” parcerias público-privadas. Apresentando a área da saúde como exemplo, com a gestão dos novos hospitais e a Saúde 24, o deputado do Bloco criticou “esta política do negócio, da concessão, do acordo ou do contrato” normalmente ligada a “pessoas que estiveram ligadas ao poder têm peso nas decisões económicas do Governo”.

O crescimento do Bloco, que tem hoje “uma força que nunca teve” e “irá eleger pela primeira vez um deputado pelo Algarve”, é a convicção de quem não cede a estes “negócios de véu levantado”, defendendo uma política socialista que traga justiça à economia, defendendo para todos aquilo que é de todos”, disse Francisco Louçã naquele que foi o último dos comícios de Verão do Bloco de Esquerda.

Esquerda.net

Estado do Sítio: Empates técnicos

“A um mês da eleições Legislativas é perfeitamente legítimo começar a desconfiar do que aí vem em matéria de sondagens.”

A um mês das eleições os partidos já têm as máquinas afinadas e preparadas para ir em força para a estrada na habitual e normal caça ao voto. A um mês das eleições ficaram para trás as polémicas sobre as listas de candidatos a deputados, velhas querelas de mercearia que normalmente animam as hostes antes da batalha final.

A um mês das eleições começam a conhecer-se os programas dos partidos, textos inúteis que só uma minoria tem a pachorra de ler, cheios de promessas e frases eloquentes sobre o sítio, que vão direitinhos para o lixo mal acabam os espectáculos de apresentação. A um mês das eleições já de disparam insultos a torto e a direito, com figuras e figurinhas a pôr-se em bicos de pés para justificar as suas candidaturas e agradar aos respectivos chefes. A um mês das eleições o senhor presidente do Conselho e líder do PS desmultiplica-se em lançamentos de primeiras pedras de hospitais, fontanários, túneis, estradas e auto-estradas. A um mês das eleições o senhor presidente do Conselho até perdeu o medo e foi à Madeira dizer que adorava os madeirenses numa festinha que os seus camaradas organizam com o engraçado nome de Festa da Liberdade. A um mês das eleições tudo isto acontece.

Mas a um mês das eleições é natural que surjam também muitas sondagens em todos os jornais, rádios e televisões. E como as eleições são daqui a um mês é bom que não se esqueça a vergonha das sondagens que antecederam as eleições europeias de 7 de Junho. A um mês das eleições importa lembrar que os indígenas deste sítio pobre, deprimido, manhoso, cheio de larápios, povoado de mentirosos e obviamente cada vez mais mal frequentado merecem algum respeitinho da parte das empresas responsáveis pelos estudos de opinião.

A um mês das eleições é importante repetir que as sondagens custam muito dinheiro às empresas de Comunicação Social que não podem andar por aí a vender gato por lebre aos seus clientes. A um mês das eleições não vale a pena começarem por aí a inventar isto e aquilo, indecisos para trás e para a frente, altos níveis de abstenção e outras coisas mais para justificarem erros crassos e resultados verdadeiramente enganadores. A um mês das eleições só faltava mesmo que as sondagens começassem a repetir empates técnicos a torto e a direito entre o PS e o PSD. A um mês das eleições Legislativas é perfeitamente legítimo começar, desde já, a desconfiar do que aí vem em matéria de sondagens.

António Ribeiro Ferreira, Grande Repórter

Ferreira Leite fez parte de “asfixia democrática”, diz Ana Drago

ana dragoA deputada Ana Drago, do Bloco de Esquerda, recordou que Manuela Ferreira Leite integrou governos onde se sentia um ambiente de “asfixia democrática”, nomeadamente os de Cavaco Silva. Ana Drago reagiu assim às declarações da líder do PSD, que disse que o principal problema da sociedade portuguesa é a “asfixia democrática”. Para a deputada bloquista, a entrevista mostrou que “as pouquíssimas propostas apresentadas pelo PSD são muitíssimo perigosas”.

“A doutora Manuela Ferreira Leite fez parte de governos no tempo do professor Cavaco Silva em que se percebeu exactamente o que significava asfixia democrática e portanto vejo com alguma surpresa que seja Manuela Ferreira Leite a falar da questão nestes termos. Lembramo-nos bem do fechamento do país, do assalto ao aparelho de Estado por parte do PSD nos tempos do cavaquismo, não nos esquecemos”, disse Ana Drago à agência Lusa.

A deputada bloquista disse que a entrevista à líder do PSD mostrou que “não tem um programa de Governo, não apresenta um programa de Governo e as pouquíssimas que tem apresentado são muitíssimo perigosas, nomeadamente a que a doutora Manuela Ferreira Leite comentou, que é a diminuição da Taxa Social Única. Em Portugal, o problema do modelo de desenvolvimento e da economia é haver salários baixos, não é reduzindo os custos do trabalho ainda mais que vamos conseguir melhorias no tecido económico”.

Para a dirigente do Bloco, esta medida iria “reduzir a capitalização da segurança social e portanto obviamente diminuir aquilo que já são as fraquíssimas pensões e reformas dos portugueses”. Anan Drago criticou ainda Ferreira Leite por “fazer a apologia de um Estado mais leve”, algo que iria “pôr todas as pessoas que não sejam pobres de pedir a pagar a sua própria saúde e a educação dos seus filhos. Todas essas propostas não respondem à crise e são muitíssimo perigosas”, concluiu.

Interrogada sobre a inclusão de António Preto nas listas do PSD, Ana Drago lembrou que “a crítica não vem só dos outros partidos” e que Pacheco Pereira já considerou que a decisão é uma ferida aberta. “Quando a doutora Ferreira Leite diz que há valores muito sérios na política que têm de ser respeitados perdeu toda a credibilidade quando fez essas escolhas”, concluiu Ana Drago

Fernando Sobral-A política cor-de-rosa

Assessores escutas e Programa do PSD

Os americanos dão a vida por uma boa teoria da conspiração. Os portugueses, mais poupados, dão tudo por uma teoria da constipação. Portugal, neste momento, está entretido pela Gripe I (Institucional).

É um género de gripe que acontece em países terceiro-mundistas como Portugal: quando há assuntos sérios que devem ser discutidos, os seus dirigentes entretêm os cidadãos com “reality shows”.

Quando se espirra em São Bento, chama-se o médico de urgência em Belém. Quando Belém se constipa, decreta-se a quarentena em São Bento. Essa é a real divisão política no País. Entre espirros e constipações dos assessores dos dois lados, que, pelos vistos, não têm nada de importante com que se entreter.

Assim, munidos de livros de John Le Carré, dedicam-se ao nobre ofício de fazer “rally papers” de espionagem. É certo que o entretenimento faz cada vez mais parte da política e que no meio de tanto fogo-de-artifício há quem fique fascinado pelas canas que caem na cabeça, e não com o brilho no céu. A nova frente de batalha entre Belém e São Bento apenas serve para desviar a atenção do essencial, e é por isso que Vitalino Canas, José Junqueiro e assessores incógnitos deveriam ter ficado calados, num gesto de contrição sábia.

A menos que sejam apenas inoculadores de espirros alheios. Acredita–se que Belém e São Bento tenham comprados telescópios Hubble para verem o que os outros andam a fazer. Prova que ali existem “paparazzis” com talento que estão a ser mal aproveitados a fazer política cor-de-rosa.

In J.Neg.

A Taxa de Roubo

4 anos de governo

Os técnicos do Instituto Nacional de Estatística têm que criar mais um índice. A Taxa de Roubo. Um indicador destes devia ser periodicamente elaborado e divulgado em conjunto com os níveis de desemprego, de inflação ou do Produto Interno Bruto. Com uma Taxa de Roubo incluída no conjunto das funções estatísticas que já compilamos, teríamos uma imagem muito mais clara do Estado da Nação.

Se houvesse Taxa de Roubo, os noticiários da semana passada, para além dos números do PIB e do Desemprego, teriam incluído que no primeiro trimestre a Taxa de Roubo em Portugal se tinha mantido entre as mais elevadas do mundo industrializado. Os analistas podiam depois ir à TV para nos desagregar a Taxa de Roubo (TR) nos seus componentes mais expressivos, o NSP (Nível de Sonegação Pura), que inclui tudo o que seja trocas em dinheiro vivo em malas, e o GDC (Grau de Desfalque Contabilizável), que descrimina os montantes em off shore e os activos já transformados (quintas, apartamentos, carros, barcos e acções não cotadas na Bolsa que valorizem mais de um centena de pontos em recompra). Assim, ao sabermos que já temos mais de meio milhão de desempregados e que a economia nacional continua a soluçar em níveis anémicos, ficaríamos a saber também que o grau de gatunagem nacional continua intocado e que, apesar da crise, de facto, a nacional roubalheira subiu em termos homólogos quando comparada com trimestres passados. Ficaríamos a saber que a volumetria do roubo em Portugal é das mais imponentes na Zona do Euro e que, contrariando o pessimismo de Pedro Ferraz da Costa quando disse ao Expresso que Portugal não tinha dimensão para se roubar tanto, há perspectivas para a Taxa de Roubo continuar crescer. A insistência do Partido Socialista nos mega-projectos que, antes de começar já assinalam derrapagens indiciadoras de que a componente PPF (Pagamentos a Partidos e Figurões) vai crescer muito, é uma garantia de uma Taxa de Roubo que rivaliza com qualquer democracia africana ou sultanato levantino. No PSD, a presença de candidatos com historial em posições elegíveis e em ternurenta proximidade com a líder, sugere que as boas práticas que têm sustentado a Taxa de Roubo vão continuar nos eventuais Ministérios de Ferreira Leite. Neste ambiente de bagunça ideal, em que se juntam as possibilidades de grandes obras públicas com o frenesim eleitoral, os corretores podem mesmo, à semelhança do que se passa no mercado de capitais, criar valor com Futuros baseados nos potenciais de subida da Taxa de Roubo Portuguesa. Por exemplo a inclusão de António Preto nas listas do PSD funciona como uma espécie de colateral de garantia de que os fluxos de dinheiros partidários continuam com todas as perspectivas de crescimento. Mudam as malas, mas continua tudo na mesma. Pode-se pois criar à confiança um produto derivado colateralizado de alto rendimento e risco relativo, porque os dois grandes partidos obviamente confiam que a ingenuidade do eleitor português se mantenha. Julgo que, tal como Ferraz da Costa, também Henrique Medina Carreira foi excessivamente prudente ao comparar o Portugal político a um “grande BPN”. Acho que com TGV, auto-estradas, Freeport e acções não cotadas da sociedade Lusa de Negócios a render lucros de centena e meia de pontos, Portugal é uma holding de rapinagem que faz o que se passou no BPN parecer a contabilidade de uma igreja mórmon.

Mário Crespo in J.N.

Ferreira Leite apresenta programa do PSD

O Programa eleitoral do PSD

«Aquilo que se me oferece dizer já o disse tanta vez que já quase não me posso ouvir a mim própria, mas não deixo de dizer».

As palavras proferidas por Manuela Ferreira Leite na conferência do Diário Económico foram descontextualizadas pelo Bloco de Esquerda e fazem parte de um vídeo em que parodiam o facto de a líder do PSD ainda não ter apresentado o seu programa para as legislativas de Setembro.

Na descrição, o site oficial do Bloco satiriza o momento e diz tratar-se de «imagens exclusivas da apresentação do programa eleitoral do PSD para as legislativas» no culminar de «muitas semanas de mistério».

«Ferreira Leite desfez todas as dúvidas sobre as suas propostas», remata o BE.

No entender de Bruno Cabral, da equipa de vídeos do Esquerda.net, «o PSD está com dificuldades para fazer um programa diferente do PS».

Para além desta frase e dos silêncios, no pouco mais de um minuto de vídeo vê-se ainda Ferreira Leite dizer «isto é complexo» enquanto olha para um papel sobre a mesa.

O vídeo com o título O programa eleitoral de Manuela Ferreira Leite está no site do BE desde domingo e, desta forma, ironiza com o facto de o PSD ter deixado para 27 de Agosto a apresentação das suas ideias para as próximas eleições.

‘Bye’, ‘bye’, Manuela (menos um voto no PSD)

Reflexões laranja

Até há coisa de dois anos eu estava convencido de que iria votar em José Sócrates nas eleições legislativas. Não o achava brilhante, mas parecia-me esforçado e com um desejo genuíno de reformar o País em áreas fundamentais. Mas com a acumulação dos vários “casos” tornou-se demasiado evidente que o escrutínio do poder e o exercício da liberdade de imprensa lhe causavam alergia. Sócrates – como ainda há pouco explicou num encontro com bloggers – é um adepto da “liberdade respeitosa”, e eu não posso votar em quem cola adjectivos duvidosos à palavra liberdade ou que necessita de um dermatologista sempre que contacta com certos pilares fundamentais da democracia.

Depois, Manuela Ferreira Leite foi eleita. Era uma senhora de quem eu guardava boa impressão, e pensei: “OK, vou votar nela.” Mas os primeiros meses à frente do PSD foram um filme de terror capaz de fazer empalidecer as melhores fitas de John Carpenter: primeiro, um silêncio interminável; depois, um conjunto de ideias banalíssimas saídas da Universidade de Verão; finalmente, uma colecção de gaffes que pareciam retiradas de um sketch dos Gato Fedorento. E eu pensei para com os meus botões: “Votar nesta Manuela? É que nem pensar.”

Mas a pouco e pouco ela mudou. Começou a dizer coisas com acerto, escolheu um bom candidato para as europeias, venceu contra tudo e contra quase todos. E eu voltei aos meus botões: “Porreiro, pá. A senhora aprendeu. Fez asneiras no princípio mas toda a gente merece uma segunda oportunidade. Agora é que vai ser a bombar.” Aí, convenci-me de que tinha tomado uma decisão definitiva: em Setembro iria votar no PSD.

Até que Manuela Ferreira Leite apresenta as suas listas de deputados para as legislativas, onde inclui uma senhora acusada de andar a distribuir casas em Lisboa por amigas e motoristas da câmara e um senhor apanhado pela PJ ao telefone a conversar animadamente sobre malas apinhadas de notas de euro. Ora, lamento muito: eu sou eleitor em Lisboa, e por mais respeito que tenha pelo princípio da inocência não vou correr o risco de ser um voto meu a sentar o rabiosque do senhor António Preto no Parlamento.

Pedro Passos Coelho ficar de fora das listas, ainda é como o outro – teve o que mereceu, depois de passar meses, com ar de sonso, a dar facadas nas costas da líder do PSD. O meu problema não é quem ficou de fora. O meu problema é mesmo quem entrou lá para dentro. A inconcebível inclusão de António Preto demonstra que Manuela Ferreira Leite gosta mais dos seus amigos do que de transparência na vida pública. Ora, esta “política de verdade” já eu conheço de cor, obrigado. O PSD acabou de ficar um voto mais longe da vitória. Bye, bye, Manuela.

por João Miguel Tavares in D.N.

Uma escolha decisiva

Alguns pontos da entrevista de um candidato a governar, conhecido por Sr. Inginheiro:

Em primeiro lugar, trata-se de escolher uma atitude na governação. Como é manifesto, a atitude que tem marcado o discurso da direita é dominada pelo pessimismo, pela amargura e pela resignação. Bem vistas as coisas, a direita só fala do futuro para dizer que tem medo do dia de amanhã. Medo: não apela ao melhor mas ao pior de nós. A sua mensagem é triste e miserabilista. Não adianta fazer nada a não ser esperar pacientemente por melhores dias.

Pois eu acho que esta atitude paralisante, herdeira de um certo espírito do salazarismo, faz mal ao País e não nos deixa andar para a frente. Pelo contrário, acho que o primeiro dever de quem governa é ter uma visão do futuro do País e a determinação de impulsionar as reformas modernizadoras que são necessárias para servir o interesse geral. Este é o seu dever: mobilizar as energias da sociedade e puxar pela confiança. Confiança, nunca desistir da confiança.

—-Não sendo eu uma pessoa da direita considero que este governo que está prestes a terminar governou à boa maneira Salazarista, onde a arrogância, o desprezo, a humilhação e a mentira ou meias verdades foram o pão nosso de cada dia. O futuro com este senhor será catastrófico tal como já vimos e sentimos na pele durante quatro anos e meio. Falar de Futuro quando nos deixou um quase sem futuro.

A resignação, o pessimismo e a amargura são os sentimentos que o Sr e seus acólitos nos deixaram e nos deixarão para o futuro uma Nação totalmente endividada e destruída pelas famosas políticas socratinas.

Em segundo lugar, há uma escolha política a fazer sobre o investimento público. A questão é esta: num contexto de crise económica global e de consequente quebra das exportações, de falta de confiança e adiamento de projectos por parte dos investidores privados, de dificuldades no acesso ao crédito, de menor procura pelos consumidores, que factor pode contribuir para relançar a economia, salvar muitas empresas e promover o emprego? Desde a célebre Grande Depressão, que se seguiu à crise de 1929, todos os economistas que resistem à cegueira ideológica sabem a resposta: o investimento público. Por isso, a generalidade dos países europeus e das economias desenvolvidas, incluindo os Estados Unidos da América de Obama, decidiram enfrentar a crise lançando programas de reforço do investimento público. Foi o que fizemos aqui também, com investimentos selectivos e destinados a impulsionar a modernização do País, de num modo geral antecipando apenas o calendário de projectos já anteriormente decididos e privilegiando os investimentos de mais rápida execução: modernização das escolas, equipamentos sociais e de saúde, energia, redes de nova geração.

—— O investimento público na salvação de grandes fortunas foi real, pelo qual teremos de pagar todos essa factura. Nenhum Português ficará mais rico com este investimento, no entanto os que investiram, especularam e geriram todo o nosso dinheiro foram premiados com o tal investimento público seleccionado. tenho pena que os montantes aplicados nesses investimentos não estejam disponíveis para investir onde verdadeiramente faz falta.

E mais: Portugal não pode estar constantemente a regressar à estaca zero na discussão dos seus projectos de investimento. Não pode estar cinquenta anos para decidir uma barragem, quarenta anos para decidir um aeroporto e vinte anos para decidir se fica dentro ou fora da rede europeia de alta velocidade, que está já hoje a revolucionar a mobilidade por toda a Europa e na nossa vizinha Espanha. Houve um tempo para decidir, este é o tempo de fazer. A proposta do PS é, por isso, continuar a apostar no investimento público como instrumento fundamental de combate à crise mas também de modernização do País.

——- Nem mais nem menos, na mouche. Aeroporto, TGV entre outros projectos apresentados sem discussão, foram após críticas alterados ou congelados. O Sr Inginheiro confunde a modernização com TGV. Há tanto para modernizar e mais importante, uma linha férrea de transporte de carga que cubra todo o País ,assim como alargar a rede ferroviária aos locais onde não existe ou foi retirado. A Finlândia é um País moderno sem TGV.

Em terceiro lugar, há uma escolha crucial a fazer sobre o futuro das políticas sociais – e também aí as opções são claras, separando nitidamente a direita e o PS. A direita insiste no recuo do Estado Social, para a condição de Estado mínimo ou, como dizem agora, Estado “imprescindível”. Nada que não tenhamos já visto antes: lembramo-nos bem de que estes mesmos protagonistas foram responsáveis por um forte desinvestimento nas políticas sociais quando estavam no Governo. Mas, tendo em conta as propostas apresentadas pela direita ao longo desta legislatura, a ambição que agora se desenha é outra: privatização parcial da segurança social, fim da tendencial gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde e pagamento dos próprios serviços de saúde pelas classes médias, privatização de serviços públicos fora das áreas de soberania. A proposta do PS, por seu turno, é bem diferente: reforço das políticas sociais, qualificação e modernização dos serviços públicos, investimento no combate à pobreza e na redução das desigualdades. E os portugueses sabem que esta proposta do PS dá seguimento aquela que foi a sua prática no Governo: criámos o complemento solidário que já beneficia mais de 200 mil idosos, criámos a rede de cuidados continuados, reforçámos o investimento nos equipamentos sociais, criámos o abono pré-natal, aumentámos o abono de família, alargámos a acção social escolar, aumentámos o salário mínimo.

——-Mais uma vez as famosas políticas sociais. Se o investimento seleccionado fosse a política social estariam bem melhor os que as usufruem e não as elites financeiras e económicas. Fala de Serviço Nacional de saúde mas esquece que hoje mais Portugueses não dispõem de médico de famílía e a famosa gratuitidade dos serviços já foi. Qualificação sim, mas não da forma como se está a desenrolar visto ser um embuste total.

No entanto apresenta uma novidade, uma conta de 200 € aos recém nascidos. Quem lucra? Os bancos. Isto não é ajudar os que necessitam mas o seu oposto.

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E que não haja ilusões: para Portugal, a alternativa real é entre o PS ser chamado de novo a formar Governo ou regressar a um Governo de direita. Por isso, os que querem um PS fraco e vencido, digam o que disserem, preferem de facto a direita no poder. Mas nesta escolha decisiva que está diante dos portugueses, o PS está, creio, do lado certo, que é também o lado da acção e do futuro: propõe uma atitude de iniciativa, preconiza o investimento público para a modernização do País e defende o Estado Social para reduzir as desigualdades e promover oportunidades para todos.

——– Novamente o choradinho. Ou votam em nós ou o País afunda-se. Um velha receita para ganhar votos por meio do medo. Esta receita utilizado desde o 25 de Abril serviu para manter um classe política a engordar a si e aos seus amigos estabelecendo ligações com agentes económicos, como se tem visto. A promiscuidade entre a classe política que nos governou nestes trinta anos com as elites económicas é assombroso.

Por isso devemos escorraçar estes senhores dos locais onde se encontram de modo a que Portugal possa ter futuro, caso contrário e brevemente estaremos sem condenado ao fracasso.

É altura de não termos medo e votarmos em consciência e não pelo medo ou pela cabeça dos opinadores políticos que nos entram pela casa e tentam influenciar a nossa decisão. O que pretendem os partidos do poder? Manter o poder, os tachos, os negócios. Esta máfia política tem de ser exterminada.

Basta!

Eu já decidi.

Os comediantes

Critica Manuela Ferreira Leite

Ao pedir a um cunhado médico que lhe engessasse o braço antes de uma prova judicial de caligrafia que o poderia incriminar, António Preto mostrou ter um nervo raro. Com este impressionante número, Preto definiu-se como homem e como político. Ao tentar impô-lo ao país como parlamentar da República, Manuela Ferreira Leite define-se como política e como cidadã. Mesmo numa época de grande ridículo e roubalheira, Preto distinguiu-se pelo arrojo e criatividade. Só pode ter sido por isso que Manuela Ferreira Leite não resistiu a incluir um derradeiro arguido na sua lista de favoritos para abrilhantar um elenco parlamentar que, agora sim, promete momentos de arrebatadora jovialidade em São Bento.

À tribunícia narrativa de costumes de Pacheco Pereira e à estonteante fleuma de João de Deus Pinheiro, vai juntar-se António Preto com o seu engenho e arte capazes de frustrar o mais justiceiro dos investigadores. Se alguma vez chegar a ser intimado a sentar-se no banco dos réus, já o estou a ver a ir ter com o seu habitual fornecedor de imobilizadores clínicos para o convencer a fazer-lhe um paralisador sacro-escrotal que o impeça de se sentar onde quer que seja, tribunal ou bancada parlamentar.

Se o convocarem para prestar declarações, logo aparecerá com um imobilizador maxilo-masséter-digástrico que o remeterá ao mais profundo mutismo, contemplando impávido com os olhos divertidos de profundo humorista os esforços inglórios do poder judicial para o apanhar, enquanto sorve, por uma palhinha apertada nos lábios, batidos nutritivos com a segurança dos imunes impunes.

Em dramatismo, o braço engessado de Preto destrona os cornos de Pinho. Com esta escolha, Manuela Ferreira Leite veio lembrar-nos que também há no PSD comediantes de grande calibre capazes de tornar a monotonia legislativa no arraial caleidoscópico de animação que está a fazer do Canal Parlamento um conteúdo prime em qualquer pacote de Cabo.

Que são os invulgares familiares de José Sócrates, o seu estranho tio ou o seu temível primo que aprende golpes de mão fatais na China, quando comparados com um transformista que ilude com tanta facilidade a perícia judiciária? António Preto é mesmo melhor que Vale e Azevedo em recursos dilatórios e excede todos os outros arguidos da nossa praça com as suas qualidades naturais para o burlesco melodramático.

Entre arguidos, António Preto é um primo inter pares. Ao fazer tão arrojada escolha para o elenco político que propõe ao país como solução para a nossa crise de valores, Manuela Ferreira Leite só pode querer corrigir a percepção que o eleitorado possa ter de que ela é uma cinzentona sem espírito de humor e que o seu grupo parlamentar vai ser o nacional bocejo.

A líder social-democrata respondeu às marcantes investidas de Pinho com as inimitáveis braçadas de Preto. Arguidos na vida política há muitos, mas como António Preto há só um. Quem o tem, tão fresco e irreverente como na primeira investigação judicial, é Manuela Ferreira Leite e o seu PSD. Karl Marx, na introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, escreve que “a fase final na história de um sistema político é a comédia”. Com estas listas do PSD e com a inspiração guionística de António Preto, Ferreira Leite está a escrever o último acto.

Mário Crespo in J.N.

O “outlet” do PSD

Os novos deputados do PSD

A grande surpresa das listas do PSD não é quem lá está. É, sintomaticamente, quem lá não está. Era esta, talvez, a surpresa que estava reservada por Manuela Ferreira Leite aos portugueses: em equipa que perde não se mexe. Porque pode ser que ganhe, já que o adversário marca golos na própria baliza. Mas as listas do PSD parecem um regresso ao século XIX em vez de serem um salto para os desafios do século XXI.

A questão central das listas do PSD não é ter deixado cair Pedro Passos Coelho ou Miguel Relvas, numa lógica de centralismo democrático a que se julgava que o PSD estava imune. As listas do PSD de Manuela Ferreira Leite afastaram adversários internos, em vez de elas servirem para mostrar uma renovação contra os interesses instalados. As listas de Ferreira Leite são uma verdadeira patinagem na maionese. As listas do PSD parecem a versão nacional do Museu de Cera de Madame Tussauds. Se esse é o futuro proposto pelo PSD, deixem-nos fugir para o passado. Manuela Ferreira Leite parece não entender a política do século XXI. Encara-a como uma mistura da televisão a preto e branco e um filme infantil de Hannah Montana. O resulto é confrangedor. As listas do PSD parecem-se demasiado com um “outlet”. Produtos fora de moda a preço de saldo. E era tudo isso que o PSD não deveria ter feito para combater um PS fragilizado e que anda perdido num labirinto com medo de encontrar o Minotauro. Manuela perdeu a grande oportunidade para mostrar que queria mudar a forma de fazer política em Portugal.

Fernando Sobral In J. Neg.

Fernando Sobral- Lisboa e o futuro

Palhaçadas

Lisboa, pode discutir-se sobre o País. Tudo se resume a dinheiro e todos falam porque ele não se reproduz como os Gremlins. Lisboa, pela sua grandeza e poder, é um “Ministério” autónomo do Governo. Mas os problemas são os mesmos. O debate entre Santana e Costa pareceu uma versão “karaoke” do Sr. Contente e do Sr. Feliz. Discutiram o passado, esqueceram-se de falar do futuro. Continua sem se perceber que Lisboa querem. Querem uma Lisboa onde se possa morar e trabalhar, algo que contínuas obras, prédios em ruínas, estacionamento anárquico e sujidade nas ruas tornam impossível? Ou querem uma cidade onde o turismo é a fonte principal de receitas mas que, para isso, precisa de criatividade e bem-estar? Não se percebeu. Fala-se de dívidas, de eléctricos rápidos, de piscinas artificiais e de Frank Gehry. Mas isso é exactamente a cultura “karaoke” pimba onde vive a política portuguesa, onde nada é real e tudo é uma imitação de “loja dos 300”. Lisboa deveria ser uma cidade de liberdades de escolhas, de criatividade, onde fosse possível circular e viver, algo que agora se revela impossível. A dívida pode ser muito importante, mas o olhar de dois políticos inteligentes como Costa e Santana Lopes deveria ser para lá desta Lisboa que aliena os lisboetas.

Fonte: J.Neg.

Perseguidos socialmente? Onde? Quando? Quem?

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Não sei em que País esta senhora vive, nem por onde tem andado. Sei que nunca os ricos tiveram tantas mordomias assim como enormes apoios como neste governo PS e a chamada distinção entre ricos e pobres existe.

Não vi nenhuma perseguição social aos ricos, veja-se o caso BPN, BPP, BCP, assim como os  concursos com empresas privadas e as suas benesses, para verificarmos como são afinal muito perseguidos socialmente.

Quem ao longo deste governo de Sócrates foi perseguido, socialmente e economicamente foram os trabalhadores que perderam direitos e nomeadamente os Funcionários Públicos que foram apelidados de malandros, preguiçosos e cheios de regalias. Estes são os que são perseguidos , são os famosos priveligiados, mas os verdadeiros, os famosos  são aqueles que comem do tacho do governo  que Sócrates e Manuela Ferreira Leite querem defender e defendem.

A mesma política, os mesmos tachos…só pretendem mudar as moscas pois a m….

Nada de bom se augura

socratesferreiraleitepaulocavacoeleiçoes2009governo copy

A dr.ª Manuela Ferreira Leite persiste num mutismo inescrutável. Nada se sabe do que deseja para o País. Tudo se ignora acerca do programa que nos vai propor. A dr.ª Manuela Ferreira Leite aplica, somente, umas farpas ao eng.º Sócrates, acentuando, insistentemente, a nódoa de carácter que lhe aponta: o de ser mentiroso, segundo a virtuosa senhora. Alfredo Barroso, na SIC Notícias, sugeriu, com a ironia que se lhe conhece, a eventualidade de a chefe do PSD estar à espera do programa do PS para aplicar o seu contrário. É uma hipótese. Pelo menos, admissível, dado o solene silêncio da antiga ministra do dr. Cavaco.

Acaso a mudez dela tenha sido recomendada pelo Pacheco Pereira, o qual esclareceu o povo que o discurso da dr.ª não deve ser tomado à letra, mas sim submetido a minuciosa interpretação. Nesse caso, o que ela diz não é o que quer dizer, e nem diz o que na realidade diz. Parece um alargamento do célebre aforismo de Óscar Wilde: “Digo sempre; não o que deveria dizer, mas o que na realidade penso.” Acontece que o autor de “O Retrato de Dorian Gray” – pensava. Perante as evidências e as afirmações do Pacheco começa a manifestar-se fortes dúvidas sobre se a dr.ª Manuela – pensa.

Estamos entregues a estas colheitas. Um é mau; o outro (neste caso a outra) é péssimo. O português mediano, dado ao trabalho e sovado pelas preocupações, não sabe o que fazer.

Votar no PCP? Pôr a cruzinha no Bloco de Esquerda? Voltar ao Sócrates? Admitir, sequer, a possibilidade de ser governado pela dr.ª Manuela e, por ela, aquela gente que se atropela na conspiração de interesses, e cujos exemplos de riqueza instantânea têm dado azo às mais atrozes atribulações da nossa piedosa democracia?

As coisas não estão nada bem para os portugueses. Como dizia o meu amigo Novais Correia, oftalmologista distinto e ainda mais distinto camilianista: “Entre estes venha o diabo e escolha.”

Eis o “tanto se me dá” em todo o seu esplendor. Eis a ausência de civismo, de cidadania e de cultura ética nas suas mais amargas expressões. A pandemia está por toda a Europa, como a gripe suína. Como é que a pátria de Garibaldi procriou e tem sustentado um homem como Berlusconi. E a França de Voltaire e da Revolução pariu Nicolas Sarkozy?, a quem Régis Debray chamou “um mentecapto hilariante.” O amolecimento mental e moral dos europeus não é metáfora. E a lenta supressão das componentes democráticas, nos sistemas tradicionais, começa a preocupar muitos dos que vêem a ameaça fascista como uma realidade.

Na última semana, a importante revista “Le Nouvel Observateur” publicou uma entrevista com John Berger. Este intelectual de 83 anos, pouco conhecido em Portugal, é um dos maiores escritores do nosso tempo. Nasceu em Londres, envolveu-se nos bulícios da época, comprometeu-se, foi perseguido e, agora, vive em França. Diz Berger: “O neoliberalismo, a que chamo fascismo económico, reina, hoje, no planeta. O mundo é uma prisão. Eles mentem-nos e violam-nos. Não podemos acreditar no que dizem esses aldrabões.”

Mais adiante, acrescenta: “Procuro, simplesmente, situar-me o mais ao centro possível; quero dizer: no centro da experiência humana. Nos nossos dias, o centro dessa experiência são os marginais. Marginais que, paradoxalmente, são os mais numerosos que vivem no planeta. Os sem-poder compreendem as coisas da vida, enquanto aqueles que detêm o poder não possuem nenhuma ideia do que, verdadeiramente, é a existência.”

Aplique-se o conceito à realidade portuguesa. Quando se chega à inquietação de se perspectivar como actores principais da política aqueles que, todos os dias, maçadora e incansavelmente, as televisões e os jornais nos apresentam, efectivamente gente de terceiro plano – então, o assunto é grave. As coisas foram preparadas e conduzidas de molde a serem entendidas como inevitáveis. Não são. O preconceito ideológico, habilmente alimentado por estipendiados em todos os ramos, conduziu-nos a ser dominados pelos “valores” do irretorquível. Ora, o “irretorquível” é a negação absoluta da razão e do acto de pensar.

É preciso e é urgente pensar contra. Contra os que bloqueiam a diversidade cultural; contra os pretensos fatalismos; contra o imobilismo; contra o niilismo; contra a perda de sentido. A nossa criatividade está disponível para combater todos os que negam a importância do homem como factor de transformação. Quando tudo parece irremediavelmente perdido, é quando mais necessitamos das nossas energias, das nossas paixões e das nossas vontades. Queremos continuar a ser mandados por esta gentalha? A experiência vivida pelos sem-poder pode impor à inércia uma nova escala de valores. Viver assim, como vivemos e como se nos promete viver, cabisbaixos e fúnebres, distanciados dos modelos explicativos, ignorando o debate de ideias – mais vale não viver.

O que nos aguarda não augura nada de bom. De um e do outro lado pouco ou nada se pode esperar. A não ser a rotina encardida de um paradigma fatigado, que ora impõe a repressão nas suas diferentes variantes, ora se mascara de democracia.

Baptista Bastos in J. Neg.