Octavio V Gonçalves
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Fernando Sobral:boys,golden share,PT,estado,sócrates,PT Salvem-nos deles!
Será uma “golden share” o toque de Midas do Estado sobre as empresas portuguesas? Ou, na situação actual, tornou-se a forma de transformar o ouro em ferro ferrugento? O que se tem passado na PT mostrou que o Governo, na sua ânsia de fazer das empresas extensões da sua hegemonia política, está a fazer mais pelo fim das “golden shares” do que pela sua preservação. O PS bebe cicuta e pensa que é elixir. O Governo de Sócrates tornou o socialismo uma nomenklatura de “boys”. Há uma triste herança destes anos: deu-se poder a quem não o sabe exercer.
O desfilar de atrocidades cometidas permite compreender a chamada elite política criada por Sócrates: jovens que subiram de elevador na vida e que nunca aprenderam a discrição do exercício do poder. Não compreendem o silêncio do poder: querem gritá-lo, para que todos reparem neles. Estes “boys” que pululam nos serviços públicos e em empresas com “golden shares” são exemplares defeituosos do novo homem sonhado por Sócrates. O lamentável é esta geração de gente mal preparada e paga a peso de ouro ter uma palavra a dizer sobre o dia-a-dia de Portugal e o futuro dos que aqui vivem. Na sua simplicidade, estes “boys” são sucedâneos de Homer Simpson com telemóvel. Numa carta a Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena escrevia: “Cada vez mais penso que Portugal não precisa de ser salvo, porque estará sempre perdido como merece. Nós todos é que precisamos que nos salvem dele”. Portugal precisa que nos salvem destes “boys” sem rosto e sem qualificações que governam este sítio. Atirem-nos um salva-vidas!
Fernando Sobral: A teoria das emboscadas
Sócrates, o filósofo grego, era conhecido por nunca atacar os adversários de forma frontal, mas através de emboscadas. Usava a ironia para conquistar seguidores para os seus pontos de vista e cortejava os que queria submeter. Era considerado um mestre da psicologia. Sócrates, o primeiro-ministro, aprendeu muito pouco com o seu homólogo. Cada vez é mais evidente que ele, para conquistar, usa outro tipo de emboscadas. Que passaram pela conquista do sector financeiro que, aliada ao poder do Estado nas empresas estatais, acabariam por dominar a opinião publicada. E assim, criar, a hegemonia ideológica do seu gabinete em todo o País. Sócrates, o português, desconhece a ironia e dá pouco valor à persuasão através do diálogo. Prefere as teias urdidas nas sombras, através de eminências pardas que foram sendo colocadas em empresas públicas e privadas. Julgava que a anestesia social seria a melhor forma de governar Portugal como uma quinta. Sócrates domesticou o PS e, até há pouco, o Parlamento. Tornou irrelevante o poder legislativo. Depois conseguiu, com leis feitas à medida de necessidades pontuais e da disponibilização de meios financeiros, tornar o poder judicial um saco de gatos. A célebre teoria da separação de poderes foi inovada por Sócrates: o poder legislativo e o judicial respondiam, cada vez mais, perante o executivo. A questão do domínio das notícias publicadas seria o corolário da utilização do poder financeiro e empresarial que o Estado (e o executivo) dominam. A ironia de quem não a usa, é que este plano ainda não pereceu.
“Medo” no PS (e no PX, no PY ou no PZ…) – Sérgio Andrade
Causou sensação o facto de, numa reunião de militantes do PS, um deles ter referido que existia medo
no interior do partido. Houve quem desse grande ênfase ao sucedido, o que se explicará pela circunstância de a alarmante palavra «medo» ter sido pronunciada por um «histórico». Fosse outro qualquer, e não Edmundo Pedro, e talvez não se tivesse verificado tanto sobressalto fora (e dentro, se calhar…) do PS.
Sucede que, no seguimento, outro socialista digno desse nome, Manuel Alegre, disse a mesmíssima coisa. Mas esse já não foi tão vago, esclareceu que «não é um medo como havia na ditadura, mas o medo ditado pelo carreirismo».
E aqui estamos nós no cerne da questão! A palavra «medo» apareceu no devido contexto e, como tal, não devem os socialistas preocupar-se com o incidente. De facto, não há que ter medo de ser militante do PS, ou de votar no PS, ou de ir às manifestações públicas do PS. O «medo» existe, na realidade, mas só atinge um número relativamente pequeno de quem se identifica com o PS. Estamos perante um «medo» que reina em todos os outros partidos, nomeadamente os que têm representação parlamentar, e sobretudo os que aspiram a ser Governo, no todo ou em parte.
Obviamente, estou a falar na coorte de ambiciosos, de interesseiros, de oportunistas, de bajuladores, de chicos-espertos que sempre pairam em redor do poder e o incensam, à espera de colher os devidos frutos. Há os que querem ser ministros ou deputados, presidentes de câmaras ou membros de conselhos de administração, arranjar jobs para si mesmos ou para os seus boys, etc., etc..
Ora, como Manuel António Pina referiu aqui no JN, estando nós num sítio que passou de «país de partido único» a «país de partidos únicos», bem se compreende que os respectivos líderes acabem reeleitos quase que por aclamação. Porque, em maior ou menor escala, eles são o poder, eles é que escolhem governantes e deputados, autarcas e administradores. Logo, há que demonstrar que se está com eles, por «medo» de se perder o tacho, ou por «medo» de nunca se chegar a meter também a mão no tacho…
In J.N.
Mais trapalhadas de Valter Lemos
Ovelhas não são para mato

Alertaram-me hoje para um caricato despacho do Secretário de Estado de Educação Valter “Excesso Grave de Faltas” Lemos, relativo à organização do ano lectivo.
Para além de um um conjunto de rabiscos inintelegíveis, como se pode confrontar pela leitura da alínea b) do artº 6º (a Direcção de Turma inclui-se na componenete não lectiva) com a leitura da alínea a) do nº 7 do artº 7º (A Direcção de Turma beneficia de redução da componente lectiva), inventaram-se novas regras em favor, claro, da autonomia das escolas para definição da componente de trabalho individual. Regras que denunciam o seu autor: vistas curtas e raciocínio atrofiado pela vigia constante das ordens do dono…
No artº 5º do despacho de organização do ano lectivo, o qual também pode ser encontrado aqui, diz-se:
2 – Na determinação do número de horas destinado a trabalho individual e à participação nas reuniões a que se refere o nº 2 do artigo 2º, deve ser tido em conta o número de alunos, turmas e níveis atribuídos ao docente, não podendo ser inferior a 8 horas para os docentes da educação pré-escolar e 1.º ciclo do ensino básico e para os outros ciclos do ensino básico e ensino secundário, 10 horas para os docentes com menos de 100 alunos e 11 horas para os docentes com 100 ou mais alunos
O que significa que os docentes do ensino básico e secundário terão um horário escolar de 24 horas ou 25 no máximo (35-10 =25); (35-11=24).
Mas, mais à frente, no nº 4 de artº 6º, diz-se:
4 – Incumbe às escolas e agrupamentos de escolas, no âmbito das competências legalmente cometidas aos órgãos de gestão e administração respectivos, determinar o número de horas a atribuir à componente não lectiva de estabelecimento, nos termos do artigo 82.º do ECD, garantindo, em qualquer circunstância, um mínimo de uma hora para além das reuniões para as quais o docente seja convocado.
Exemplificando para se ver melhor a asneira:
Um docente de 30 anos que leccione 22 tempos lectivos semanais, a cinco turmas do secundário (25 alunos cada) a disciplina de Português, ficará com o seguinte horário completo:
20 horas lectivas + Direcção de Turma = 22 horas semanais
Como é jovem tem, de acordo com o quadro constante do artº 3º, de marcar no seu horário mais um bloco de 90 minutos para enriquecimento curricular. Ou seja, 22+2= 24 horas semanais.
Como pelo nº 4 de artº 6º tem de marcar, no mínimo, um hora de componente não lectiva de estabelecimento, este docente terá um horário de permanência obrigatória na escola de 25 horas semanais: 22 +2 +1= 25 horas.
Mas, de acordo como já referido artº 5º, este docente teria direito a 11 horas para trabalho individual e participação em reuniões pois tem mais de 100 alunos (não marcadas no horário).
Assim sendo, no cumprimento do valteriano despacho, este docente teria o seguinte horário:
25 horas de permanência na escola + 11 de trabalho individual = 36 horas semanais.
Ou seja uma hora extraordinária. Pague-se, se faz favor.
Reitor In Educação S.A.
CCAP, CCPA, APCC, PACC, CPAC ou outra “articulação” qualquer
CCAP, num lamentável acto de justificação de existência, pariu três recomendações de uma assentada, qual delas a mais oca; qual delas a mais palavrosa; qual delas a menos assertiva…
O modelo de avaliação dos professores, já se viu, é um pântano de asneiras “alimentado da terra e do ar“, por palavras vãs e exercícios bacocos, que só não secou ainda porque uns assalariados do Estado, pagos pela Ministra da Educação, nele vão lançando as “águas” da ideologia e do favor, sim, favor e não fervor.
Vejamos estas duas duas pérolas:
CCAP, Recomendação nº 3
No momento da atribuição das menções qualitativas, no que se refere aos níveis de competências evidenciados, é necessário ter em conta aspectos específicos que podem variar no corpo docente (por exemplo, a natureza do vínculo contratual, o posicionamento na carreira e a experiência profissional, as funções específicas exercidas e outros). Esta adequação só pode ser feita localmente, face às realidades concretas do contexto da escola, da turma e do docente
1 – No momento da atribuição das menções qualitativas NÃO se pode ter nada em conta, simplesmente porque a menção qualitativa é automaticamente calculada em função de uma fórmula que soma ponderadamente classificações e não em função de “aspectos específicos”, como defende o CCAP.
2 – O CCAP, numa linha de arbitrariedade e parcialidade na avalição dos professores que, francamente, já supeitava ir ser seguida, vem expor-se com a nitidez dos que pensam que têm o tacho seguro para a vida. Só assim se percebe que defenda que os professores devem ser avaliados, não pelo seu mérito profissional, mas de acordo com as especificidades de vínculo e carreira: “a natureza do vínculo contratual, o posicionamento na carreira e a experiência profissional, as funções específicas exercidas e outros“. Ou seja, devem ser avaliados mais ou menos, consoante, tendo em conta, etc…Leia mais In Educação S.A.










