
Alguns pontos da entrevista de um candidato a governar, conhecido por Sr. Inginheiro:
Em primeiro lugar, trata-se de escolher uma atitude na governação. Como é manifesto, a atitude que tem marcado o discurso da direita é dominada pelo pessimismo, pela amargura e pela resignação. Bem vistas as coisas, a direita só fala do futuro para dizer que tem medo do dia de amanhã. Medo: não apela ao melhor mas ao pior de nós. A sua mensagem é triste e miserabilista. Não adianta fazer nada a não ser esperar pacientemente por melhores dias.
Pois eu acho que esta atitude paralisante, herdeira de um certo espírito do salazarismo, faz mal ao País e não nos deixa andar para a frente. Pelo contrário, acho que o primeiro dever de quem governa é ter uma visão do futuro do País e a determinação de impulsionar as reformas modernizadoras que são necessárias para servir o interesse geral. Este é o seu dever: mobilizar as energias da sociedade e puxar pela confiança. Confiança, nunca desistir da confiança.
—-Não sendo eu uma pessoa da direita considero que este governo que está prestes a terminar governou à boa maneira Salazarista, onde a arrogância, o desprezo, a humilhação e a mentira ou meias verdades foram o pão nosso de cada dia. O futuro com este senhor será catastrófico tal como já vimos e sentimos na pele durante quatro anos e meio. Falar de Futuro quando nos deixou um quase sem futuro.
A resignação, o pessimismo e a amargura são os sentimentos que o Sr e seus acólitos nos deixaram e nos deixarão para o futuro uma Nação totalmente endividada e destruída pelas famosas políticas socratinas.
Em segundo lugar, há uma escolha política a fazer sobre o investimento público. A questão é esta: num contexto de crise económica global e de consequente quebra das exportações, de falta de confiança e adiamento de projectos por parte dos investidores privados, de dificuldades no acesso ao crédito, de menor procura pelos consumidores, que factor pode contribuir para relançar a economia, salvar muitas empresas e promover o emprego? Desde a célebre Grande Depressão, que se seguiu à crise de 1929, todos os economistas que resistem à cegueira ideológica sabem a resposta: o investimento público. Por isso, a generalidade dos países europeus e das economias desenvolvidas, incluindo os Estados Unidos da América de Obama, decidiram enfrentar a crise lançando programas de reforço do investimento público. Foi o que fizemos aqui também, com investimentos selectivos e destinados a impulsionar a modernização do País, de num modo geral antecipando apenas o calendário de projectos já anteriormente decididos e privilegiando os investimentos de mais rápida execução: modernização das escolas, equipamentos sociais e de saúde, energia, redes de nova geração.
—— O investimento público na salvação de grandes fortunas foi real, pelo qual teremos de pagar todos essa factura. Nenhum Português ficará mais rico com este investimento, no entanto os que investiram, especularam e geriram todo o nosso dinheiro foram premiados com o tal investimento público seleccionado. tenho pena que os montantes aplicados nesses investimentos não estejam disponíveis para investir onde verdadeiramente faz falta.
E mais: Portugal não pode estar constantemente a regressar à estaca zero na discussão dos seus projectos de investimento. Não pode estar cinquenta anos para decidir uma barragem, quarenta anos para decidir um aeroporto e vinte anos para decidir se fica dentro ou fora da rede europeia de alta velocidade, que está já hoje a revolucionar a mobilidade por toda a Europa e na nossa vizinha Espanha. Houve um tempo para decidir, este é o tempo de fazer. A proposta do PS é, por isso, continuar a apostar no investimento público como instrumento fundamental de combate à crise mas também de modernização do País.
——- Nem mais nem menos, na mouche. Aeroporto, TGV entre outros projectos apresentados sem discussão, foram após críticas alterados ou congelados. O Sr Inginheiro confunde a modernização com TGV. Há tanto para modernizar e mais importante, uma linha férrea de transporte de carga que cubra todo o País ,assim como alargar a rede ferroviária aos locais onde não existe ou foi retirado. A Finlândia é um País moderno sem TGV.
Em terceiro lugar, há uma escolha crucial a fazer sobre o futuro das políticas sociais – e também aí as opções são claras, separando nitidamente a direita e o PS. A direita insiste no recuo do Estado Social, para a condição de Estado mínimo ou, como dizem agora, Estado “imprescindível”. Nada que não tenhamos já visto antes: lembramo-nos bem de que estes mesmos protagonistas foram responsáveis por um forte desinvestimento nas políticas sociais quando estavam no Governo. Mas, tendo em conta as propostas apresentadas pela direita ao longo desta legislatura, a ambição que agora se desenha é outra: privatização parcial da segurança social, fim da tendencial gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde e pagamento dos próprios serviços de saúde pelas classes médias, privatização de serviços públicos fora das áreas de soberania. A proposta do PS, por seu turno, é bem diferente: reforço das políticas sociais, qualificação e modernização dos serviços públicos, investimento no combate à pobreza e na redução das desigualdades. E os portugueses sabem que esta proposta do PS dá seguimento aquela que foi a sua prática no Governo: criámos o complemento solidário que já beneficia mais de 200 mil idosos, criámos a rede de cuidados continuados, reforçámos o investimento nos equipamentos sociais, criámos o abono pré-natal, aumentámos o abono de família, alargámos a acção social escolar, aumentámos o salário mínimo.
——-Mais uma vez as famosas políticas sociais. Se o investimento seleccionado fosse a política social estariam bem melhor os que as usufruem e não as elites financeiras e económicas. Fala de Serviço Nacional de saúde mas esquece que hoje mais Portugueses não dispõem de médico de famílía e a famosa gratuitidade dos serviços já foi. Qualificação sim, mas não da forma como se está a desenrolar visto ser um embuste total.
No entanto apresenta uma novidade, uma conta de 200 € aos recém nascidos. Quem lucra? Os bancos. Isto não é ajudar os que necessitam mas o seu oposto.

E que não haja ilusões: para Portugal, a alternativa real é entre o PS ser chamado de novo a formar Governo ou regressar a um Governo de direita. Por isso, os que querem um PS fraco e vencido, digam o que disserem, preferem de facto a direita no poder. Mas nesta escolha decisiva que está diante dos portugueses, o PS está, creio, do lado certo, que é também o lado da acção e do futuro: propõe uma atitude de iniciativa, preconiza o investimento público para a modernização do País e defende o Estado Social para reduzir as desigualdades e promover oportunidades para todos.
——– Novamente o choradinho. Ou votam em nós ou o País afunda-se. Um velha receita para ganhar votos por meio do medo. Esta receita utilizado desde o 25 de Abril serviu para manter um classe política a engordar a si e aos seus amigos estabelecendo ligações com agentes económicos, como se tem visto. A promiscuidade entre a classe política que nos governou nestes trinta anos com as elites económicas é assombroso.
Por isso devemos escorraçar estes senhores dos locais onde se encontram de modo a que Portugal possa ter futuro, caso contrário e brevemente estaremos sem condenado ao fracasso.
É altura de não termos medo e votarmos em consciência e não pelo medo ou pela cabeça dos opinadores políticos que nos entram pela casa e tentam influenciar a nossa decisão. O que pretendem os partidos do poder? Manter o poder, os tachos, os negócios. Esta máfia política tem de ser exterminada.
Basta!
Eu já decidi.