Em que mundo vive a Procuradora Cândida Almeida?

Directora do DCIAP falou na Universidade de Verão do PSD

Cândida Almeida diz que os políticos portugueses não são corruptos

Foi de uma forma insistente que Cândida Almeida, directora do DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal) vincou que Portugal “não é um pais corrupto” e que muitas vezes as pessoas estão a falar de “crimes afins” como a fraude fiscal ou o tráfico de influência.

“Digo olhos nos olhos: O nosso país não é corrupto, os nossos políticos não são corruptos, os nossos dirigentes não são corruptos”, disse este sábado à noite a procuradora-geral adjunta, na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide.

À chegada à vila alentejana, Cândida Almeida confirmou já ter recebido o acórdão do processo Freeport para decidir se vai ser aberto inquérito, mas assegurou ainda não ter lido, lembrando que os tribunais só abrem na segunda-feira.

Já na fase de perguntas dos alunos, uma participante da Universidade de Verão questionou sobre a situação do antigo-primeiro-ministro, José Sócrates, que está a viver em Paris com gastos de “luxo” que considerou incompatíveis com os seus rendimentos. Na resposta, Cândida Almeida disse não ter meios para investigar. “É verdade que ele tem aquela vida, mas o que é que podemos fazer?”, questionou, acrescentando também não saber que ilícito poderia configurar. “Vamos instaurar um inquérito com suspeitas de quê”, questionou, rejeitando qualquer “caça às bruxas”.

Na sua intervenção inicial, Cândida Almeida reconheceu que há “corrupção”, mas disse rejeitar “qualquer afirmação simplista”. A Procuradora-geral adjunta revelou ainda que o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, já foi chamado para detalhar situações de corrupção de que tem falado publicamente, mas que acabou por dizer que “não sabia de nada”.

 

 

1- Esta senhora nunca deveria estar em palestra num local partidária. Falha a insenção e a separação entre politica e funções governativas

– Não vive neste mundo, e só assim percebemos como é que os políticos se escapam  dos crimes de que são acusados.

– É uma vergonha e um desrespeito pela justiça e pelos portugueses.

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A Justiça social no IV Reich: Corte no défice custa três vezes mais às famílias que às empresas

No segundo semestre é a doer, mas o plano draconiano prolonga-se até final de 2011, pelo menos. Portugal corre risco de nova recessão

Os particulares vão contribuir com mais do dobro do dinheiro do que as grandes empresas para o plano de austeridade do governo/PSD em resultado do pagamento de uma nova taxa (especial) sobre o rendimento. Os salários vão ajudar a abater mais o défice público deste ano do que os lucros, basicamente.

Segundo o mapa preliminar que esteve na mesa das negociações entre o executivo e o maior partido da oposição (ver tabela ao lado), as famílias devem entrar com 400 milhões de euros no segundo semestre deste ano em sede de IRS, valor que compara com os 150 milhões de euros adicionais em sede de IRC que seriam cobrados às empresas que apresentassem lucros acima de um milhão de euros. Este último valor será, afinal, bem menor pois o plano de corte do défice definitivo, ontem apresentado pelo primeiro-ministro, José Sócrates, só vai penalizar as empresas que lucrarem mais de dois milhões de euros ao ano.

Ao nível do IRS percebe-se que o novo imposto tem um enorme alcance: apenas as pessoas que ganham menos de 4.793 euros por ano, cerca de 400 euros por mês, estão isentas de IRS, logo não estão sujeitas à referida taxa. Todas as outras vão pagar 1% sobre o seu salário bruto (se ganharem até 17.979 euros anuais) e 1,5% caso ganhem mais do que isso por ano.

Com este plano, o governo promete agora reduzir o défice para para 7,3% do produto interno bruto (PIB) em 2010, um ponto percentual mais do que dizia no Programa de Estabilidade e Crescimento (o tal que não convenceu Bruxelas nem os mercados financeiros). Ao todo, a despesa pública será cortada em mil milhões de euros; a receita sobe 1,1 mil milhões além do previsto.

Face a 2009, ano em que o défice chegou aos 9,4%, o corte no défice público será 2,1 pontos percentuais do PIB. No próximo ano, a dieta de emagrecimento das contas públicas ainda acelera mais: o défice cairá 2,7 pontos para 4,6% do PIB, explicou Sócrates na conferência de imprensa do conselho de ministros.

Mas a factura das famílias não fica por aqui. Para além da sobretaxa de IRS que incide sobre os salários brutos da esmagadora maioria dos portugueses, todos os consumidores – no fundo, toda a população portuguesa, cerca de 10,6 milhões de pessoas – vão pagar mais IVA.

As taxas de todos os escalões subiram um ponto percentual: a taxa reduzida aumenta pela primeira vez desde que foi criada para 6%; a taxa intermédia (aplicada na restauração, por exemplo) avança para 13% e a taxa normal sobe para 21%. O aumento da carga em IVA é visto por muitos observadores como algo que agrava as injustiças, logo penaliza todos da mesma maneira independentemente da classe de rendimento. Sócrates ripostou, de forma lacónica, contra uma pergunta de um jornalista que sublinhava o problema da iniquidade fiscal no IVA: “Há famílias que compram esses produtos, e podem pagar, e adquirem-nos a uma taxa de 5%, ora isso não é justo”, disse ainda, referindo-se a bens como “pão, leite, Coca-Cola e Pepsi-Cola”.

E foi mais longe: levar em frente um plano desta envergadura é pedir a todos os portugueses – e não apenas aos funcionários públicos – “um esforço patriótico” para que os mercados, Bruxelas e a maioria dos comentadores internacionais tirem Portugal do radar dos países mal-comportados e maus-pagadores. Foi então que Sócrates explicou que o mundo mudou muito nos últimos 15 dias, sobretudo nos mercados da dívida pública. O PEC, apresentado em Março, “foi bem recebido no mundo, mas a verdade é que esse mundo mudou, e de que forma, nos últimos 15 dias”, concluiu.

Mais desemprego no fim do túnel Apesar de o governo estar de consciência tranquila e de Pedro Passos Coelho, o líder do PSD, ter pedido “desculpas” por ter dado o aval ao plano, a verdade é que o futuro é pouco risonho.

O agravamento fiscal vai condicionar de forma directa o consumo das famílias em todos os escalões de rendimento – consumo que representa cerca de dois terços da criação de riqueza em Portugal. Com o investimento em terreno muito negativo e as exportações dependentes de uma conjuntura externa incerta, os economistas sublinham que as novas medidas de consolidação orçamental arriscam colocar a economia portuguesa de novo no caminho de uma recessão.

O problema é particularmente grave numa altura em que a taxa de desemprego atingiu 10,5% da população activa, um novo recorde.

“Do ponto de vista das finanças públicas creio que as medidas podem ter os resultados desejados – outra coisa é o efeito sobre a economia e particularmente sobre o emprego”, aponta Eduardo Paz Ferreira, professor na Faculdade de Direito de Lisboa.

Daniel Amaral, economista e ex-administrador da Brisa, diz que “era preciso fazer qualquer coisa nas finanças públicas, mas isto vai ter incidência no crescimento: já vimos cortes no investimento, agora teremos reduções no consumo e nem sequer vejo grande margem para as famílias pouparem”.

Assim vai Portugal!-Última certidão contendo escutas de conversas de Sócrates foi destruída

A Comarca do Baixo Vouga anunciou hoje a destruição da última das certidões extraídas do processo Face Oculta contendo escutas de conversas entre o primeiro-ministro e Armando Vara e que ainda não tinha sido devolvida ao Tribunal de Aveiro.

Em declarações à agência Lusa, o juiz presidente da Comarca do Baixo Vouga, Paulo Brandão, disse que os documentos foram destruídos hoje de manhã nas instalações do Tribunal de Aveiro, deixando de existir qualquer escuta envolvendo José Sócrates, “quer em registo áudio, quer em suporte documental”, no âmbito do processo Face Oculta.

Está assim cumprida integralmente a ordem do presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Noronha Nascimento, quase seis meses depois de ter sido tomada a decisão.

Segundo o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, José Sócrates surgiu em 11 escutas feitas a Armando Vara, mas considerou que “não existem elementos probatórios que levem à instauração de procedimento criminal” contra o primeiro-ministro. Já o presidente do STJ considerou nulas as escutas que envolvem Sócrates, ordenando a sua destruição no dia 13 de Novembro de 2009.

Para os investigadores do processo Face Oculta haveria indícios da prática, por parte do primeiro-ministro, do crime de atentado contra o Estado de direito por alegadamente pretender controlar a comunicação social, nomeadamente a TVI, através de empresas públicas.

No dia 16 de Abril, o juiz presidente da Comarca do Baixo Vouga tinha garantido que todas as escutas do processo Face Oculta envolvendo o primeiro-ministro tinham sido destruídas, com excepção de alguns elementos que ainda estariam em Lisboa.

Paulo Brandão referia-se a duas certidões extraídas pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Aveiro que foram enviadas para o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e para o DIAP de Lisboa.

Depois disso, foi devolvida uma certidão, que foi entretanto destruída, faltando apenas uma outra certidão que foi destruída hoje.

A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou a 28 de Outubro de 2009 a operação Face Oculta em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado Manuel José Godinho, que se encontra em prisão preventiva no âmbito deste processo.

No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e pelo menos 18 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, ex-ministro socialista e vice-presidente do BCP, que suspendeu as funções, José Penedos, presidente da REN – Redes Eléctricas Nacionais, que o tribunal suspendeu de funções, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.

Cravinho: “Falta vontade política para combater a corrupção”

Cravinho falava antes de mais um debate do Clube dos Pensadores, no GaiaHotel, sobre o tema “Corrupção e off-shores”, a que assistiram o antigo presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Narciso Miranda, e dois antigos vereadores do Urbanismo da autarquia portuense, Gomes Fernandes, do PS, e Paulo Morais, do PSD.

Como deputado socialista, em 2006, Cravinho apresentou um plano anticorrupção, rejeitado pelo Parlamento, que previa colocar sob suspeita uma pessoa cujas declarações de rendimentos não correspondessem ao seu real património. “Tenho gosto de ver entrar pela porta das traseiras propostas que eu propus, ao mesmo tempo que pela porta da frente se continua a negar o essencial”, notou João Cravinho, sem, contudo, pormenorizar.

Questionado sobre se considera que o actual Governo tem feito um bom trabalho no combate à corrupção, o ex-ministro e actual administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento respondeu: “Concretamente, a sociedade portuguesa está relativamente adormecida ou inoperante face às grandes ameaças que a corrupção traz à nossa vida colectiva”.

“Há uma grande tolerância relativamente à corrupção. Dá a impressão que é uma inevitabilidade; Governo atrás de Governo, Parlamento atrás de Parlamento, o julgamento que muitas vezes se faz é que ‘são todos assim’”, regista João Cravinho. A seu ver, é preciso fazer “uma ruptura drástica” com este estado de espírito.

Cravinho elogiou o presidente do Tribunal de Contas, Guilherme de Oliveira Martins, pelo “trabalho verdadeiramente notável”, que se baseia, referiu, nos “planos de prevenção da corrupção”. Tais planos são a “ peça fundamental do ponto de vista da administração, mas curiosamente o Partido Socialista rejeitou-os”, assinalou.

Na sua intervenção inicial o ex-deputado defendeu que “não há rigorosamente nenhum caso de corrupção que não tenha por trás uma teia de off-shores”, ou seja, paraísos fiscais utilizados, nomeadamente, pelo crime organizado e para efeitos de evasão fiscal e de lavagem de dinheiro.

Segundo disse, o Fundo Monetário Internacional calcula que a lavagem de dinheiro a nível mundial representa “cerca de 3 a 3,5 por cento do produto interno bruto global”. Quanto ao que se pode esperar da Comissão Parlamentar de Combate à Corrupção, presidida pelo deputado socialista Vera Jardim, Cravinho ficou-se por um “só no fim é que se verá”.

Fernando Sobral: Crime e castigo

Para Winston Churchill a então União Soviética era uma charada, envolta num mistério dentro de um enigma. A justiça portuguesa começa também a parecer-se uma Matrioska da loja dos 300. E já não se sabe o que é verdade e o que é ficção. Sobretudo já se deixou de acreditar que a um crime corresponde o melhor castigo. Agora que o crime da violação de justiça se tornou o Darth Vader da sociedade portuguesa, a acreditar em José Sócrates ou em Cândida Almeida, não é de espantar que esteja aberta oficialmente a caça à liberdade.

O crime que origina esta tentação para saber o que é ocultado deixou de ser o inimigo público da sociedade portuguesa. O crime não é a corrupção: é a divulgação de que existe. A bomba de fumo atirada para o ar (para ver se pega) de que os magistrados também devem poder ser escutados para saber se é deles que partem as violações ao segredo de justiça, ameaça inaugurar um nome Estado policial. Em nome da democracia. O que é fantástico nesta tese é que ao referir-se a possibilidade dos magistrados poderem ser escutados, não se está
a abrir um precedente. Sabe-se que qualquer português pode ser escutado, dentro de um quadro legal. Mas ao referir-se os magistrados (e quem sabe, os investigadores da PJ) está a pressionar-se quem investiga em Portugal. O alvo é claro. O crime é a sociedade saber o que não deve. O que é silenciado não existe. É essa a nova tese hegemónica na elite política e judicial portuguesa. Kim Jong Il e Ahmedinejad não poderiam estar mais de acordo. Neste novo sistema os castigados são os que buscam justiça.

Henrique Raposo : Sócrates fala como se fosse um “arguido”

I. Ricardo Costa tem razão: José Sócrates está a confundir o caso PT/TVI com o caso Freeport. O caso Freeport é um caso judicial, mas o caso PT/TVI é um caso político. E a estratégia que José Sócrates usou para o primeiro não pode ser usada para o segundo. No caso Freeport, as críticas devem ser dirigidas à justiça. Os factos que existem não são suficientes para atacar José Sócrates. E as explicações do primeiro-ministro, até ver, foram suficientes. O ónus está com a justiça. Mas no caso PT/TVI o ónus está com José Sócrates.

II. O caso PT/TVI é um problema político, que requer uma resposta política. Que ainda não tivemos. Ontem, na entrevista a Miguel Sousa Tavares, o primeiro-ministro voltou a confundir as coisas. No caso Freeport, José Sócrates tem o direito ao silêncio. No caso TVI/PT, José Sócrates não pode – como fez ontem – refugiar-se no silêncio, nas respostas evasivas ou na lengalenga da conversa privada.

III. José Sócrates falou como se fosse um “arguido” de um processo judicial; seguiu às riscas as instruções do seu advogado , refugiando-se num formalismo legal que não tem justificação (sobretudo para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem ). Sócrates falou como se Miguel Sousa Tavares fosse um magistrado, e não um jornalista. E isto é um absurdo. José Sócrates não é um “arguido”, é o primeiro-ministro, e tem de falar como a franqueza de um primeiro-ministro.

IV. Além de revelar uma fraqueza política nunca vista, esta conversa de “arguido” revela imensas contradições internas no discurso de José Sócrates. Um exemplo: Sócrates diz que, “por princípio”, não fala sobre coisas que violam o segredo de justiça, mas, depois, usa as violações do segredo de justiça que lhe são “favoráveis” (despacho do PGR). Ou seja, Sócrates não invoca o “respeito pelo segredo de justiça” por convicção, mas por mera conveniência.

Nunca fomos outra coisa senão isto…- Baptista Bastos

b.bastos@netcabo.pt

Pouco podemos esperar desta democracia. Chamam-lhe “representativa” mas, na verdade, pouco ou nada nos representa. Vivemos não numa comédia de enganos, mas numa tragédia de mentiras. Os conceitos morais, os princípios éticos foram pulverizados. Ainda agora, Fernando Lima, que fora destituído das funções de assessor para a comunicação social do Presidente da República, foi por este promovido. Recordemos que Lima, envolvido no caso das escutas em Belém, portou-se como o cargo exigia: defendeu o amo e senhor, notoriamente responsável pelo imbróglio. Fernando Lima é um jornalista abaixo do medíocre, cuja carreira é embaraçosamente surpreendente. Não possui méritos assinaláveis que apoiem ou justifiquem os lugares de chefia e de directoria por ele desempenhados. Sobre o caso já escrevi, no JN, dois artigos. Não desejo alongar-me mais: o assunto fede. Mas que esse fedor exala algo de nauseabundo e de pérfido, lá isso…

Sobrenadamos neste oceano glauco de pagamento de favores, de tranquibérnias de todo o jeito e feitio, de promoção de “yes men”, de percursos sombrios, de corrupção vulgarizada, de actividades pouco claras. Um fartote! Podemos afirmar que vivemos em democracia? Não.

Ainda há dias, no programa Prós e Contras, RTP1, de Fátima Campos Ferreira, ficámos a saber, uma vez mais, como os lídimos representantes da Justiça não se entendem. Não é novidade para ninguém que a Justiça, em Portugal, é inexistente. E que, como muita gente responsável declara, beneficia quem tem dinheiro e desmerece de quem o não tem. O bastonário da Ordem dos Advogados, o dr. Marinho e Pinto, tem desmontado, com invulgar coragem e rara audácia, os meandros em que a instituição se tem enredado. Não se esqueceu de dizer que nada aconteceu aos juízes que ofendiam a moral e a decência, nos amargamente famosos Tribunais Plenários, antes do 25 de Abril. Depois, muitos foram recolocados, com alegre leviandade.

Um país sem memória, ou que não cultiva a recordação das coisas, está irremediavelmente condenado. E, a propósito, não esquecer, também, o facto de o dr. Cavaco ter negado uma pensão à viúva de Salgueiro Maia, e não as haver recusado a ex-agentes da PIDE. Foi, aliás, durante a década cavaquista que a amnésia histórica se alargou, como ideologia dominante.

Nas Redacções dos jornais jornalistas de grande competência foram removidos pela incomodidade que representavam. A decadência da Imprensa portuguesa, o elevado grau da sua imaturidade, a ausência de carácter na maioria dos jornais decorre daí. Ramalho Ortigão, que foi nosso mestre, disse que, “para se escrever nas folhas é preciso ter ombros largos.” Queria dizer que o jornalista, para o ser e enquanto tal, tem de saber enfrentar as armadilhas, as velhacarias que a todo o momento se erguem no caminho dos profissionais honrados.

Pouco podemos esperar desta democracia, repito. Os Governos (este, então, bate recordes) estão repletos de pingentes encardidos, cuja noção de serviço público é igual à de um eguariço a açoitar as bestas. O Executivo Sócrates, depois de ganhar as eleições com margem relativa, começou, imediatamente, a tripudiar sobre o programa que apresentara, semanas antes, ao eleitorado. Chama-se falta de palavra. Todavia, parece que os portugueses já se habituaram a esta continuada indignidade. Um cavalheiro é acusado de crime e logo se descobre que auferia o vencimento de 6 700 contos, moeda antiga. Um outro, que escuma de ira, quando vai à televisão e o contradizem, vai receber uma reforma de 3 600 contos mensais, “adaptáveis” à inflação, por ter exercido funções públicas, durante seis meses!, num banco. O rol não pára. E só raramente estes casos, de absoluta imoralidade, aparecem nas primeiras páginas ou abrem os noticiários dos telejornais.

A nebulosa do viver português leva-nos a conjecturar as mais sinistras tropelias e a desconfiar de meio-mundo, enquanto o outro meio está de remissa. A Justiça não está ao nosso lado, ao lado daqueles que não dispõem de dividendos suficientes para pagar a um advogado dos grandes escritórios. A imprensa, de uma forma geral, ignora-nos e aos nossos dramas. O futebol serve muito mais o poder, depois de Abril, do que durante o salazarismo. Serve-o como entorpecedor das nossas energias e das nossas indignações. Estas, estão pelas ruas da amargura.

O eng.º Van Zeller, nobre figura, vem à liça e quase que impede a miséria dos aumentos. O dr. Constâncio, socialista e tudo, ergue, medonho e implacável, a sobrancelha direita, e proclama o mesmo ou pior ainda. José Sócrates anda de beijinho com o PSD e enfurece o CDS-PP, que se presumia o privilegiado. O Bloco está à espera. O PCP desconfia, como é seu estilo. O PS não é nem deixa de ser. Claramente, esta situação opaca e suja não pode continuar. Os portugueses têm sido comprimidos entre o que dois partidos desejam. Nenhum é melhor do que o outro. Mas já não somos o que éramos ou, acaso, sempre fomos assim…

b.bastos@netcabo.pt

BE vai propor à AR figura do «crime de enriquecimento ilícito»

O líder do Bloco de Esquerda (BE) divulgou hoje quatro projectos-lei de combate e prevenção da corrupção, um dos quais prevendo o “crime de enriquecimento ilícito, num momento em que «a corrupção está a gangrenar a sociedade portuguesa»
Francisco Louçã revelou, em conferência de imprensa, que apresentará estes projectos de lei para votação na Assembleia da República, no dia 3 de Dezembro, naquilo que pretende ser uma resposta do BE a uma «emergência nacional» e ao «mar de corrupção» que mina a transparência e a igualdade económica em Portugal.

A primeira proposta do BE propõe o levantamento do sigilo bancário, através de um modelo semelhante à lei espanhola, em que as instituições bancárias comunicam duas vezes por ano ao fisco os movimentos dos depósitos de clientes, em comparação com as declarações de IRS.

Neste domínio, Francisco Louçã admitiu que serão consideradas as sugestões apresentadas pelo deputado socialista e antigo ministro da Justiça Vera Jardim na legislatura anterior, designadamente de que o fisco só verificará casos de discrepância significativa.

Quanto ao crime de enriquecimento ilícito, Louçã esclareceu que o BE não defende a inversão do ónus da prova (que a lei criminal rejeita), mas sublinhou que a consagração deste tipo de crime é «extremamente importante».

O BE sublinha que é ao Ministério Público que compete conduzir a investigação de que decorre a acusação, ou seja a acusação que tem de demonstrar a ilicitude do enriquecimento, que, a existir, contribuirá para o cúmulo jurídico.

A terceira proposta do BE prende-se com «o fim da protecção das luvas», que mais não é do que acabar com a distinção entre corrupção para acto lícito e corrupção para acto ilícito, conforme explicou Francisco Louçã.

Louçã lembrou que já houve uma situação de corrupção activa para acto lícito (relacionado com o caso Bragaparques e que envolvia a promessa de pagamento de 200 mil euros) em que o tribunal condenou o réu a uma multa de cinco mil euros.

É precisamente para que a corrupção para acto lícito não seja tratada como uma infracção «pequena e benévola» que o BE quer que haja «um único crime de corrupção» em todas as circunstâncias, cabendo ao tribunal «ponderar a pena segundo a gravidade do acto».

Por último, o BE vai propor a «retenção fiscal das mais valias urbanísticas», por forma a que «nenhum proprietário ou intermediário possa ser beneficiado pela alteração, por uma Câmara Municipal, da classificação urbanística de terrenos de reserva agrícola ou ecológica para zona urbanizável, seguindo também neste campo o modelo espanhol».

Falando acerca desta quarta proposta do BE, Louçã vincou que há que combater a «especulação imobiliária» que continua a ser a «principal fonte da corrupção», sobretudo ao nível local (autarquias).

Estas medidas – acentuou – são precisas para que «o sistema de justiça possa investigar e julgar» com mais eficiência, tendo o BE convidado os restantes partidos a apresentar também as suas ideias e propostas para um «novo quadro legislativo» que trave a corrupção que assola o país.

Louçã garantiu que o BE não apresentou estas medidas «por causa do processo Face Oculta», mas porque «não há semana, mês ou ano» em que não apareçam casos de corrupção a «atravancar» o sistema e a sociedade portuguesa.

Lusa / SOL

Sweet Misery: A Poisoned World – Parte 07/08 – Aspartame

O aspartamo ou aspartame é uma neurotoxina utilizada para substituir o açúcar comum. Ele tem maior poder de adoçar (cerca de 200 vezes mais doce que a sacarose) e é menos denso. O aspartamo geralmente é vendido junto com outros produtos. É o adoçante mais utilizado em bebidas.

O aspartamo é consumido por mais de 200 milhões de pessoas, em todo o mundo e está presente em mais de 6000 produtos.
Este veneno esta sendo consumido inocentemente pelas pessoas, com aprovação da Organização Mundial de Saúde.

Faça uma pesquisa por “Codex Alimentarius” e você ficará surpreso com as proporções que isso vem tomando.

Obs: Não fui eu quem legendou o video, apenas mesclei as legendas a ele. Mesmo que em alguns momentos tenham dificuldade de acompanhar a legenda por conta da cor, vale a pena assistir ao documentário

Publicado por libertas000

Sweet Misery: A Poisoned World – Parte 05/06 – Aspartame

O aspartamo ou aspartame é uma neurotoxina utilizada para substituir o açúcar comum. Ele tem maior poder de adoçar (cerca de 200 vezes mais doce que a sacarose) e é menos denso. O aspartamo geralmente é vendido junto com outros produtos. É o adoçante mais utilizado em bebidas.

O aspartamo é consumido por mais de 200 milhões de pessoas, em todo o mundo e está presente em mais de 6000 produtos.
Este veneno esta sendo consumido inocentemente pelas pessoas, com aprovação da Organização Mundial de Saúde.

Faça uma pesquisa por “Codex Alimentarius” e você ficará surpreso com as proporções que isso vem tomando.

Obs: Não fui eu quem legendou o video, apenas mesclei as legendas a ele. Mesmo que em alguns momentos tenham dificuldade de acompanhar a legenda por conta da cor, vale a pena assistir ao documentário

Publicado por libertas000

Alex Jones: A Mentira de Obama (The Obama Deception) 11

NO INFRINGEMENT OF COPYRIGHT IS INTENDED

obama-brainThe Obama Deception – A Mentira de Obama é o mais novo documentário do produtor Alex Jones onde destrói por completo o mito de que Barack Obama esteja trabalhando no melhor dos interesses do povo americano.

O fenómeno de Obama é uma mentira maquinada cuidadosamente para liderar a NOva Ordem Mundial. Obama foi apresentado como o salvador em uma tentativa de enganar o povo americano com o fim de aceitar a escravidão mundial.

Já não se trata de esquerda ou direita, de comunismo ou sistema de liberdades, do que realmente se trata até agora de forma encoberta é de um Governo Mundial.

Este documentário cobre: Para quem Obama trabalha, as mentiras que disse e sua verdadeira agenda. Se você quer saber dos factos e passar por cima de toda essa ladainha messiânica, este filme é para você.

http://www.prisionplanet.com
http://www.infowars.com

Publicado por deusmihifortis

Alex Jones: A Mentira de Obama (The Obama Deception) 10

NO INFRINGEMENT OF COPYRIGHT IS INTENDED

obama-brainThe Obama Deception – A Mentira de Obama é o mais novo documentário do produtor Alex Jones onde destrói por completo o mito de que Barack Obama esteja trabalhando no melhor dos interesses do povo americano.

O fenómeno de Obama é uma mentira maquinada cuidadosamente para liderar a NOva Ordem Mundial. Obama foi apresentado como o salvador em uma tentativa de enganar o povo americano com o fim de aceitar a escravidão mundial.

Já não se trata de esquerda ou direita, de comunismo ou sistema de liberdades, do que realmente se trata até agora de forma encoberta é de um Governo Mundial.

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Alex Jones: A Mentira de Obama (The Obama Deception) 9

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The Obama Deception – A Mentira de Obama é o mais novo documentário do produtor Alex Jones onde destrói por completo o mito de que Barack Obama esteja trabalhando no melhor dos interesses do povo americano.

O fenómeno de Obama é uma mentira maquinada cuidadosamente para liderar a NOva Ordem Mundial. Obama foi apresentado como o salvador em uma tentativa de enganar o povo americano com o fim de aceitar a escravidão mundial.

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Alex Jones: A Mentira de Obama (The Obama Deception) 7

Alex Jones: A Mentira de Obama (The Obama Deception) 8

NO INFRINGEMENT OF COPYRIGHT IS INTENDED

The Obama Deception – A Mentira de Obama é o mais novo documentário do produtor Alex Jones onde destrói por completo o mito de que Barack Obama esteja trabalhando no melhor dos interesses do povo americano.

O fenómeno de Obama é uma mentira maquinada cuidadosamente para liderar a NOva Ordem Mundial. Obama foi apresentado como o salvador em uma tentativa de enganar o povo americano com o fim de aceitar a escravidão mundial.

Já não se trata de esquerda ou direita, de comunismo ou sistema de liberdades, do que realmente se trata até agora de forma encoberta é de um Governo Mundial.

Este documentário cobre: Para quem Obama trabalha, as mentiras que disse e sua verdadeira agenda. Se você quer saber dos factos e passar por cima de toda essa ladainha messiânica, este filme é para você.

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A realidade é que se engana

19 de Abril de 2009 por Nuno Ramos de Almeida

socrates-cosplay-karen-copySegundo o Expresso, o primeiro-ministro, José Sócrates, resolveu processar nove jornalistas. A novidade é que embora não tenha processado, que se saiba, Charles Smith e João Cabral que o chamam de “corrupto” , numa reunião com um administrador do Freeport, resolveu perseguir os jornalistas que deram a notícia. Para além do director da TVI, José Eduardo Moniz, e dos jornalistas Manuela Moura Guedes, Ana Leal e Carlos Enes, resolveu levar a tribunal o repórter de imagem Júlio Bagulho, provavelmente por ter filmado a fachada da polícia britânica. Não é caso para menos, quem filma o edifício onde trabalham os polícias que escreveram que José Sócrates é suspeito, deve ser exemplarmente castigado.
O que preocupa o nosso pequeno e medíocre governante prepotente não é haver um alegado caso de corrupção ou um eventual aproveitamento da Smith and Pedro, do seu nome, para extorquir dinheiro a uma empresa. O que chateia o nosso primeiro-ministro é isso ser notícia.
Se Sócrates tiver a maioria absoluta, podemos ficar cientes que vai fazer leis à sua medida, para conseguir uma justiça e comunicação social convenientemente amestradas.

Publicado em cinco dias

Inteiramente gratuito, eis o guia com que sempre sonhou

Ajustiça em Portugal parece-lhe confusa? Não faz ideia porque é que todos os processos que envolvem pessoas importantes acabam sempre em regabofe? Diga não à desorientação! Em apenas 20 passos, eis o guia ideal para entender todos os casos que em Portugal começam com a palavra “caso”:

1) Os jornais publicam uma notícia sobre qualquer pessoa muito importante que alegadamente fez qualquer coisa muito má. 2) Essa pessoa muito importante considera-se vítima de perseguição por parte de forças ocultas. 3) Outras pessoas importantes vêm alertar para o vergonhoso desrespeito do segredo de justiça em Portugal, que possibilita a actuação de forças ocultas. 4) Inicia-se o debate sobre o segredo de justiça em Portugal. 5) Toda a gente tem opiniões firmes sobre o que é preciso mudar na legislação portuguesa para que estas coisas não aconteçam. 6) Toda a gente conclui que não se pode mudar a quente a legislação portuguesa. 7) A legislação portuguesa não chega a ser mudada para que estas coisas não aconteçam. 8 ) As coisas voltam a acontecer: os jornais publicam notícias sobre essa pessoa muito importante dizendo que ainda fez coisas piores do que as muito más. 9) Outras pessoas importantes vêm alertar para o vergonhoso jornalismo que se faz em Portugal, que nada investiga e se deixa manipular por forças ocultas. 10) Inicia-se o debate sobre o jornalismo português. 11) Toda a gente tem opiniões firmes sobre o que é preciso mudar no jornalismo português. 12) Toda a gente conclui que estas mudanças só estão a ser debatidas porque quem alegadamente fez uma coisa muito má é uma pessoa muito importante. 13) Nada muda no jornalismo português. 14) Enquanto o mecanismo se desenrola do ponto 1) ao ponto 13) a justiça continua a investigar. 15) Após um período de investigação suficientemente longo para que já ninguém se lembre do que se estava a investigar a justiça finaliza as investigações e conclui que a pessoa muito importante: a) Não fez nada de muito mau. b) Já prescreveu o que quer que tenha feito de muito mau. c) É possível que tenha feito algo de muito mau mas não se reuniram provas suficientes. d) Afinal o que fez não era assim tão mau. 16) Pessoas importantes que são amigas dessa pessoa muito importante concluem que ela foi vítima de perseguição por parte de forças ocultas. 17) Pessoas importantes que não são amigas dessa pessoa muito importante concluem que em Portugal nada acontece às pessoas muito importantes que fazem coisas alegadamente muito más. 18) As pessoas citadas no ponto 17) iniciam mais um debate sobre a justiça em Portugal. 19) As pessoas citadas no ponto 16) iniciam mais um debate sobre o jornalismo em Portugal. 20) Os jornais publicam uma outra notícia sobre uma outra pessoa muito importante que alegadamente terá feito outra coisa muito má. Repetem-se os passos 1) a 19).

por JOÃO MIGUEL TAVARES

De que tem medo o PS?

O PS tem um problema com a corrupção que, sendo o PS Governo, se torna um problema do país. Sempre que o tema vem à baila, designadamente na AR, o PS mostra-se patentemente incomodado, e tal incómodo manifesta-se numa torrente de palavras e declarações de intenção que, por um motivo ou por outro (e pode legitimamente recear-se que seja por outro), nunca se traduz em actos. Paralelamente, se hoje, em Portugal, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um corrupto ir parar à cadeia, isso deve-se fundamentalmente a um Código Penal aprovado pelo PS. Ao mesmo tempo, o deputado socialista que mais batalhou por eficazes leis anti-corrupção passou a…ex-deputado.

Agora é o enriquecimento ilícito de titulares de cargos públicos. Os portugueses habituaram-se a ver gente que ocupa ou ocupou lugares de decisão política aparecer a vender cabritos sem ter, que se saiba, cabras e pareceria natural que a lei lhe perguntasse (como já faz no domínio fiscal) donde vieram os cabritos. O PS acha a pergunta imprópria, e nem permite que o TC se debruce sobre ela. Que hão-de pensar os portugueses?

Fonte:António Maria Pina  J.N.

Os Intocáveis!

Riqueza instantânea

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A responsável pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Cândida Almeida, defendeu hoje, no Porto, numa conferência sobre corrupção, a criação do crime de enriquecimento ilícito, na linha do pacote que foi apresentado o ano passado pelo deputado João Cravinho, chumbado pelos deputados socialistas.
“Se um político ganha 5 mil euros por mês e ao fim de um ano tem dois milhões ou três, teria que ser ele a explicar como é que ganhou este dinheiro”, disse.
A procuradora-geral adjunta, acredita que há formas da redacção da lei não ser inconstitucional e defendeu que o conceito de corrupção existente no Código penal é “castrador”.
“Ou então não há corrupção no país, porque só temos 300 e tal ou 400 processos, muito menos acusações e ainda muito menos condenações”, ironizou.

Houvesse realmente vontade ou melhor não tivessem aqueles que estão no poder tantos telhados de vidro ou tanto dinheiro amealhado de forma corrupta e talvez tivéssemos leis que nos protegessem dos bandidos do regime, mas seria ingenuidade pensar que eles irão matar a galinha dos seus ovos de ouro.

Não Ver, Não Ouvir e não Falar…nem ter vergonha na cara

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Um conjunto de documentos da Procuradoria-geral da República (PGR), que terão sido cedidos a uma organização humanitária, referem a passagem pelo Porto, entre os dias 15 e 17 de Setembro de 2002, (na altura era primeiro ministro Durão Barroso), de um voo da CIA que fazia a ligação entre Rabat e Cabul. O mesmo preso passou uma segunda vez por Portugal em 2004, quando foi levado de Cabul para Guantanamo, (na altura era primeiro ministro Santana Lopes).
Estes voos só podem ter cruzado espaço nacional com autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros e depois de consultado o Ministério da Defesa e sublinha que os arquivos dos dois ministérios têm de ter esta documentação. A passagem destes voos da CIA está a ser investigada há dois anos pelo Ministério Público.
A Procuradoria-Geral da República adia explicações e informa que, «logo que for proferido o despacho final no processo em curso, será dado conhecimento integral do mesmo, para completo esclarecimento dos cidadãos».

Agora já vem o Luís Amado, depois de ter andado anos a negar a existência de qualquer prova, dizer que estes dados não eram novidade para o ministério e que até foram eles que os forneceram à procuradoria. Esta gente não tem vergonha na cara, jura e desdisse-se como se mentir fosse algo natural. Esta leveza no tratamento do problema, o inocentar de culpas que colaborou na violação de direitos humanos, (o Nuno Rogeiro já veio apregoar que Portugal não violou nenhuma lei e que por isso não pode vir a ser acusado), só demonstra que continuam todos de acordo em branquear o problema e limpar as responsabilidades dos “Durões” da Cimeira das Lajes, e dos compadres que por cá pactuaram e ocultaram a verdade. Esta gente não presta.

By wehavekaosinthegarden

Absolut Prescription


Absolut prescription

Crimes no caso Freeport podem já ter prescrito
Se o Ministério Público considerar a viabilização do empreendimento um acto lícito, mesmo que tenha havido eventuais subornos, aqueles crimes já prescreveram, quer tenha havido corrupção activa ou passiva, pois, nestes casos, a prescrição é de dois e cinco anos, respectivamente.

A magia da justiça está de volta e, como quatro anos de investigação congelada, resolvem todos os problemas quando os crimes usam colarinhos brancos.

O processo camarário de licenciamento do Freeport tem, pelo menos, 29 assinaturas de pessoas que despacharam as centenas de documentos que viabilizaram a construção do empreendimento. Em 90 dossiês, consultados pelo 24horas, há sete pastas que sintetizam o percurso deste processo, que se iniciou em 2002 e, só em 2007, viu emitida a sua licença de utilização, apesar de ter sido inaugurado em 2004. Carlos Guerra, José Inocêncio, Arnaldo Teixeira, António Rodrigues e Vítor Carvalheira são os nomes decisivos nestes volumes. O primeiro era o presidente do Instituto de Conservação da Natureza (ICN), o segundo foi presidente daCâmara de Alcochete, de 2001 a 2005, pelo PS; Teixeira foi vereador do Urbanismo no mandato de Inocêncio; o quarto é hoje vice-presidente da autarquia, agora de maioria CDU; o último é engenheiro e foi o chefe de Divisão de Administração Urbanística da Câmara até 2008.

In 24 Horas

Os nus de Modigliani e do carnaval de Torres Vedras

Em Paris, há cerca de 90 anos, um grupo de pessoas amigas e admiradoras do genial pintor Modigliani arranjou um local de exposição dos seus quadros no intuito de conseguir maior notoriedade e proventos para o pintor, que vivia em precária situação financeira.

Entre os quadros expostos talvez predominassem alguns dos seus muitos quadros de nus femininos e, um deles estava na montra do local de exposição.

Os mirones, que por ali passavam, embora atraidos pelo conteúdo da montra, não estavam inclinados a comprar os seus quadros, para azar do pintor. A novidade espalhou-se e começou a registar-se um movimento algo desusado de apreciadores, não de arte mas, de mulheres nuas. Até aqui, nada mereceria estas linhas.

Acontece que na mesma rua, havia uma esquadra da polícia e o chefe, alertado ou não por algum transeunte mais marcado pelo puritanismo, avançou e mandou encerrar a exposição.

Os organizadores, espantados com a decisão, protestaram e informaram o cabo de esquadra de que pela cidade havia muitos locais com telas evidenciando nus femininos.

O arguto e bem informado polícia teve uma resposta inapelável. É que nos quadros de Modigliani, as mulheres nuas ostentavam os pelos do pubis!

E assim acabou aquela exposição do infeliz Modigliani.

Em Portugal, Torres Vedras, 2009, alguém terá sentido que a moralidade pública ficaria prejudicada com um cartaz expondo, no écran de um magalhães umas pequenas imagens de raparigas semi-nuas. E queixou-se às autoridades dessa exposição “obviamente” pornográfica.

Os cartazes foram proibidos, não sabendo nós se havia ou não exposição de pelos do pubis. A evolução registada entre Paris, há 90 anos e o Portugal de hoje, é que um cabo de esquadra foi aqui substituido por um magistrado do Ministério Público.



publicado por GRAZIA TANTA in Esquerda Desalinhada