O medo, o receio…

Uma síntese do actual PS

Vera Jardim, Paulo Pedro, Ana Gomes e Maria de Belém Roseira são alguns dirigentes da alegada esquerda do PS que, por receio de tal ser entendido como uma afronta a José Sócrates, decidiram que não apresentarão uma moção de estratégia no próximo congresso do partido, mas que querem que o PS dê um sinal claro de que é um partido de esquerda, que governa à esquerda e que é também um partido moderno. Nomeadamente, o grupo quer ter a garantia de que, se for governo após as legislativas de 2009, o PS adoptará medidas fiscais que favoreçam as pessoas mais afectadas pela crise e que avance com medidas na área do reconhecimento dos direitos dos homossexuais.

Este retrato inusitado sintetiza bem o momento actual que se vive no PS e a tónica mediática da governação Sócrates. Começando por aqui, ninguém reclama pelo que já está a ser feito. E Sócrates apregoa aos quatro ventos que está – sempre esteve – a ajudar os mais desfavorecidos. Está visto que, tal como acontece com uma realidade que teima em contrariá-las, as suas belas palavras não chegam para convencer uma franja importante dentro do seu partido. Passando para o PS, o retrato fornecido mostra-nos um partido em que se pede licença para expressar ideias e em que o debate interno é função da garantia dos cargos de cada um. E é por aqui, com a técnica da cenoura, premiando silêncios com cargos, que se tenta travar a sangria da fileira de descontentes que foi engrossada por três anos de políticas que beneficiaram e prejudicaram sempre os mesmos e que compromete nova maioria. A nove meses de eleições, a prioridade das prioridades do e no PS é a manutenção do poder e dos poderes.

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Para os Boys, Não!

Contenção salarial, mas não para a rapaziada

Sócras deveria ser pago em Pregos…pelos pregos que nos prega

Regresso ao passado

Os sindicatos não o sabiam, eu também não e, dada a forma sumária como foi discutido o Código do Trabalho, suspeito que o Governo se lembrou de promover este regresso à pré-história já depois do desfecho da encenação a que assistimos na concertação social. Confesso que até fiquei banzado quando li que a proposta de lei de alteração da legislação laboral prevê que o trabalhador já não tem de dar o seu acordo para que parte da retribuição a que tem direito seja paga em espécie. Caso se confirme este regresso aos dias de ouro das trocas directas, o conceito de modernidade de José Sócrates vai permitir, por exemplo, que alguém que trabalhe numa fábrica de ferragens coma pregos no prato todos os dias. À rico. Isto é que vai ser qualidade de vida.

A Morte Anunciada

A morte lenta da saúde da nossa saúde

Extrema unção

«Segundo o Relatório de Primavera 2008 do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, a oferta privada dos serviços de saúde é “geralmente de maior qualidade”, mas apenas viável porque o Estado a financia “quase na sua totalidade”. Com esta atitude, e “porque os recursos são escassos”, o Estado acaba por “não investir no sector público” O documento alerta para “a falta de atenção pelos profissionais”, prevendo que “daqui a poucos anos não haverá recursos humanos para manter o serviço público de saúde”. “Não são de certeza as formas contratuais que pouco a pouco se vão instalando nos hospitais públicos que vão criar condições para a fixação de profissionais necessários ao serviço público” »

Olha, descobriram a pólvora e vão ver que, mais dia, menos dia, ainda descobrem que quem tanto fala e luta pela necessidade de emagrecer o sector do Estado só o faz porque até se babam por poder deitar o dente a esse dinheiro. Há muito que esta politica liberal que nos tem conduzido anda a transferir competências dos Estado para empresas privadas que acabam como últimos destinatários dos nossos impostos. Acontece na saúde, como está e ainda vai acontecer mais no ensino, nos transportes, na segurança social, nos serviços, em tudo. Até as senhoras da limpeza são contratadas através de empresas de serviço precário e onde houver um cêntimo do estado lá estarão os privados de olhos esbugalhados a olhar para ele. Quantas empresas produtivas vemos os grandes grupos económicos criar? Onde estão as fábricas que fizeram? Só apostam no turismo e em serviços que possam vender ao Estado. Essa é a riqueza que criam, nenhuma. Se todo o dinheiro que têm andado a distribuir por essa gente fosse correctamente aplicado em serviços do Estado e no sector produtivo público ter-se-ia conseguido lutar contra o desemprego e criar um estado com estruturas fortes que não o coloquem sob a chantagem dos privados. Mas, essa não é a politica desta gente e por isso muitos encontram bons empregos e boas reformas quando acabam de cumprir com o seu “serviço público”. Lixa-se o país, mas safam-se eles.
Agora já se colocou na calha a Manelinha Ferreira Leite que vem dar a extrema-unção ao já moribundo Serviço Nacional de Saúde. Até já avisou que isto de ser gratuito para todos tem os dias contados.

Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN


Confrontada com um relatório que expõe o fracasso em toda a linha das políticas seguidas pelo seu ministério, nomeadamente os negócios que fomenta à custa do Serviço Nacional de Saúde, Ana Jorge optou pela estratégia de conduzir um golpe de teatro capaz de distrair as atenções do tema principal, dizendo que não iria a um hospital privado em caso de acidente grave. O palco escolhido foi o Parlamento e a peça esteve em exibição durante a tarde de ontem.

Hoje podemos verificar – e congratular-nos – que Ana Jorge não teve nenhum acidente grave. Apresentou-se com o seu aspecto habitual noutro palco, o da
conferência “Desafios para o futuro: a saúde na terceira idade”, promovido precisamente por uma seguradora privada de saúde, a Tranquilidade Seguros ou, se preferir, BES Saúde, onde trabalha também a sua colega Maria de Belém Roseira, a Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde. Que não se pense que se tratou de uma prova de vida, longe disso. Ontem foi ontem e hoje é hoje, nada de confusões. E hoje foi dia de anunciar novo negócio, de 15 milhões de euros, que vão direitinhos, ainda este ano, para um “programa especial” de financiamento de uma rede de cuidados continuados de saúde “a desenvolver pelo sector social ou privado ou por instituições do serviço nacional de saúde”, citando a ordem escolhida pela ministra. Hoje foi um dia normal, igual a todos os outros citados no relatório.

A manipulação descarada

Mentiras ou Funcionários Públicos a mais?

Um estudo realizado pelo Instituto Nacional da Administração, disponível no site da Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público do Ministério das Finanças, faz cair por terra as falácias com que o Governo PS, com o beneplácito de PSD e CDS, andou a entreter os portugueses quer quanto ao peso do emprego público no total da população activa, quer sobre o falso “privilégio inconcebível” dos vínculos definitivos aos quais o Governo, com o contributo da comunicação social, chamou de “vínculos por nomeação”, fomentando a confusão com as nomeações de natureza político-partidária, uma prática em que os três partidos têm sido useiros e vezeiros. Quanto ao primeiro, o estudo revela que Portugal é o terceiro país com menor percentagem de funcionários públicos (13,4%), logo a seguir à Alemanha e à Espanha, e menos de metade da percentagem verificada em França (28%) e na Suécia (31,5%) e menor do que as verificadas em dois países considerados pelo executivo Sócrates como “exemplos a seguir”: Irlanda (17,9%) e Finlândia (22,9%).Quanto à apresentação da natureza definitiva do vínculo público como ” um privilégio incompatível com uma Administração Pública eficiente e de qualidade”, em países muito mais desenvolvidos do que Portugal, o vínculo definitivo é maioritário. É esse o caso da Espanha (60%), de França (55%) e da Irlanda (58,7%), países onde a segurança e a estabilidade da relação laboral dos servidores do Estado é encarada como elemento essencial para defendê-los contra pressões e chantagens, quer de chefias partidárias, quer de grupos de interesses privados. Em Portugal, um país sem corrupção, a prevenção de tais pressões fica despojada de qualquer sentido.Este tema, que já tinha sido objecto de postagem no PB quando começou a cruzada contra os falsos privilégios, volta hoje às páginas do DN. Acresce dizer que o estudo em apreço foi realizado antes da reforma que se realizou apesar da realidade que faz ressaltar.